Saúde

Exame previne retardo físico e mental

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O chorinho do bebê na hora em que seu calcanhar é espetado chega a “partir” o coração da mãe. Mas a dorzinha momentânea é a única maneira de identificar se a criança é ou não portadora de algumas doenças que, se não tratadas precocemente, podem levar a sérios problemas físicos e mentais.

O teste do pezinho, como ficou conhecido, pode identificar aproximadamente 30 tipos dos chamados erros inatos do metabolismo. É quando a criança nasce com alguma deficiência na produção de enzimas - substâncias que regulam o funcionamento do organismo. Estima-se que uma em cada 5 mil crianças nasça com alteração em alguma destas enzimas reguladoras.

Estas alterações vão impedir ou prejudicar o desenvolvimento de algum órgão ou sistema do organismo do bebê e podem levar a sérias lesões, principalmente no crescimento físico e no amadurecimento neuropsicomotor da criança. Ou seja, ela poderá ter graves seqüelas físicas, retardo mental severo ou mesmo morrer por complicações orgânicas.

A maioria destas doenças apresenta sinais e sintomas facilmente identificáveis pelos médicos. Mas há duas delas que podem passar completamente despercebidas durante meses. São a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito. Uma lei federal obriga todos os hospitais a realizarem o exame gratuitamente para detectar essas duas doenças. A triagem pode abranger as outras doenças, mas aí é preciso pagar pelo chamado exame expandido.

A fenilcetonúria é uma deficiência do organismo em que o aminoácido fenilalanina (substância presente em todas as proteínas) não é metabolizado e acumula-se no sistema nervoso da criança. O tratamento é feito cortando-se alguns alimentos - dieta que a criança terá que seguir por toda a vida e quanto mais cedo começar, melhor.

Quando detectada tardiamente ou não tratada adequadamente, ocasiona um atraso irreversível no desenvolvimento mental da criança.

Já o hipotireoidismo congênito (que afeta uma em cada 6 mil crianças) é uma deficiência na produção do hormônio da tireóide - uma glândula que comanda todo o metabolismo do organismo. Quando funciona mal, torna a atividade dos órgãos muito lenta, atrasando o crescimento e desenvolvimento da criança.

Da mesma forma que a fenilcetonúria, quando descoberta precocemente, o bebê passa a receber um medicamento que repõe esse hormônio e normaliza o metabolismo.

Especialistas salientam que o primeiro ano do bebê é determinante para o resto da sua vida. O desenvolvimento físico e neuropsicomotor neste período é bastante acelerado. Qualquer deficiência pode levar a graves e irreversíveis conseqüências. É por isso que torna-se tão importante detectar e tratar a doenças metabólicas desde o primeiro mês de vida.

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Como é feito

De acordo com a farmacêutica bioquímica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Karla Panice Pedro, o teste do pezinho deve ser realizado entre o terceiro e o sétimo dia de vida do bebê. É importante que ele tenha sido amamentado por pelo menos 48 horas para que o organismo possa apresentar as reações e alterações.

A coleta do sangue é feita em poucos minutos. A mãe, ou uma enfermeira, segura o bebê no colo, mantendo de pé e com as costas voltadas para quem vai fazer a coleta. Esta posição favorece um aumento do fluxo sangüíneo para os pés da criança, tornando a retirada do sangue mais fácil e rápida.

O pezinho é desinfetado, massageado e espetado com uma lanceta descartável. A massagem faz com que o sangue saia por aquele furinho. Um cartão especial absorve o sangue, que será encaminhado ao laboratório. O resultado do exame fica pronto em aproximadamente sete dias.

As crianças que recebem diagnóstico de fenilcetonúria ou hipotireoidismo através do teste do pezinho são imediatamente encaminhadas ao profissional competente, que vai iniciar o tratamento. O paciente recebe tudo de graça, inclusive medicamentos e fórmulas alimentares.

Para isso, a Apae conta com uma equipe médica e assistencial completa, incluindo pediatra, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, psiquiatra, assistente social e enfermeiros, que dão todo o suporte necessário aos pacientes.

• Serviço

O Laboratório da Apae fica na rua Rodrigo Romeiro, 2-47 (entre as quadras 15 e 16 da rua Saint Martin). O telefone para mais informações é (14) 234-3064.

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