A Polícia Militar foi informada sobre a rebelião na Febem por volta das 15h30 e se deslocou até o prédio. Os internos dominaram a Unidade de Internação, expulsaram os funcionários de lá e fizeram um menor refém, conforme relato do comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira.
Tanto o capitão quanto o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, não souberam precisar a escolha dos rebeldes, que solicitaram a presença do magistrado. Quando Maintinguer chegou pelo menos 20 menores o aguardavam sobre a lage de uma estrutura onde estão instalados alojamentos e o refeitório, alguns com camisetas amarradas na cabeça.
De acordo com o Comandante da 1.ª Companhia da PM, durante a negociação, o juiz conseguiu que três menores descessem para negociar e os convenceu a encerrar a rebelião, mas a proposta não foi aceita pelos internos. Os adolescentes exigiam a retirada dos policiais e não aceitavam a revista da PM.
Diante do impasse, a Tropa de Choque teve autorização do juiz para entrar. De acordo com o tenente Hudson Covolan, da Tropa de Choque, eles precisaram ultrapassar uma barricada para ter acesso ao pátio onde os menores estavam. Enquanto isso, eram antigidos por pedras e ferramentas jogados do alto.
“Com a nossa entrada, parte dos menores, que já estava no chão, se rendeu. Cerca de 19 internos ficaram deitados no chão. Os outros continuavram sobre o telhado. Quando cheguei até a lage, o refém estava sendo agredido por dois adolescentes. Eu tive que pular sobre um deles para evitar a morte do garoto e, nesse momento, fui ferido no braço”, conta o tenente, que salvou a vida do adolescente.
Segundo o tenente, foi ele quem apreendeu o menor após uma tentativa de assalto a duas casas em Bauru. Na época, o rapaz atirou e feriru uma das vítimas.
Enquanto o interno era salvo e socorrido, outros policiais que tentavam subir na lage eram alvo de todo tipo de ferramentas. O soldado Alceu Borges Jr. foi atingido quando tentava proteger o policial do canil. “Jogavam muitos objetos, um me acertou”, conta. Ele teve o dente quebrado e a boca ferida.
Após o confronto, a Tropa de Choque controlou a situação. Mais tarde, os menores foram revistados pela PM e cerca de 50 armas brancas foram apreendidas e encaminhadas ao plantão policial.
Até o fechamento dessa edição, duas mães permaneciam em frente ao prédio da Febem esperando por informações sobre a situação dos filhos.
Uma delas, que preferiu não se identificar, garantiu estar surpresa com a movimentação, já que na última visita parecia tudo calmo. Segundo ela, seu filho não reclamou de maus tratos ou alegou presenciar espacamentos.