O novo presidente da executiva municipal provisória do PL, Fernando Monti, já articula a filiação do ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB) no partido. O liberal - um dos integrantes do grupo político de Tidei - corre contra o tempo porque no próximo dia 3 esgota-se o prazo para a regularização partidária dos pretendentes à disputa das eleições municipais do ano que vem. Monti tem 24 dias para convencer Tidei de que o PL é a melhor alternativa político-partidária para seu futuro.
Uma virtual filiação do ex-prefeito à legenda liberal - que conta apenas com um representante na Câmara Municipal, Pastor Luiz - é um forte indicativo de que ele deverá compor a lista de candidatos que se apresentará ao eleitorado a partir de julho de 2004. Atualmente filiado no PMDB, Tidei está isolado no partido desde que a família Gasparini conquistou o controle da legenda.
Sua situação piorou com a filiação do vereador Renato Purini e de seu pai, Roberto - ex-deputado estadual - no partido. Embora nos bastidores o ex-prefeito tem comentado que pretende enfrentar a família Gasparini na renovação do diretório, agendada para outubro, o cenário doméstico que se apresenta não lhe é favorável.
O quadro resume a preocupação de Monti em fazer com que Tidei enxergue que não há mais espaço no PMDB para seu grupo. Se depender dele, o ex-prefeito tem sinal verde para se tornar a mais nova liderança liberal de Bauru e região.
Convite
“Vamos formalizar o convite ao Tidei para que ele venha somar no PL”, afirma Monti. Ele diz, porém, que ainda não conversou com o peemedebista sobre o assunto. “A última conversa que tive com ele - de amigo para amigo - havia uma manifestação, um desejo, de ainda permanecer no PMDB”, esclarece.
O liberal - que comandou por um período a Secretaria Municipal de Saúde na gestão de Tidei (1993/1996) - enumera uma lista de elogios ao ex-prefeito.
“Além de ser um grande amigo, tenho por ele um grande respeito. É uma liderança política da maior importância para Bauru. Teve uma atuação de quatro legislaturas na Câmara dos Deputados e foi prefeito. É uma liderança expressiva”, analisa.
Mas a filiação de Monti ao PL também visa o fortalecimento do partido. Seu irmão, o deputado federal Milton Monti (PL), de São Manuel, é o responsável pela engenharia política que o fez migrar do PMDB para o campo dos liberais.
Ele tem metas a cumprir antes do prazo final para a regularização partidária dos pretendentes à disputa das eleições do ano que vem. “Vamos conversar com lideranças e fazer o convite para que somem junto com a gente no PL”, diz, sem citar nomes. Monti não esconde, porém, que o alvo escolhido são filiados do PMDB com quem mantém afinidade política.
“Afinal de contas, fiquei no PMDB por duas décadas. Evidentemente, as nossas relações interpessoais se fizeram dentro do partido. Nós vamos, sim, dar ensejo a esse processo. Pessoas vão ser convidadas formalmente a vir para o PL. E ficaremos muito satisfeitos com as novas filiações”, comenta.
Desconversa
O ex-prefeito Tidei de Lima se diz “lisonjeado” com as declarações de Monti. “Mas só posso me manifestar depois que receber o convite”, desconversa o peemedebista, que recebeu a notícia com risadas.
Político matuto, Tidei diz que tem se mantido afastado do cenário que compõe as articulações políticas. Garante que tem se dedicado à profissão - ele é engenheiro - e à família. Há poucos dias, o ex-prefeito se dedicou a cuidar da saúde da mãe, em Ribeirão Preto.
“Estou desligado da política. Nem sei o que tem ocorrido nos últimos dias na cidade”, conta. Para bom entendedor, a resposta pode ser decodificada em outras palavras: o ex-prefeito está plugado no cenário político, mas a discrição é regra essencial nesse jogo que está apenas começando.