Tribuna do Leitor

'De Rerum Natura'


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Com a nossa cidade de Bauru prestes a renovar-se pelo banho de justiça que receberá em breve, achei interessante e oportuno apresentar um magnífico ensaio em verso sobre a natureza das coisas de Lucrécio, eminente professor e cidadão de Roma A.C, onde numa grandiosa mansão construída por Memmius, nos seus gramados banhados pelo Sol, recita aos seus alunos o nascimento e o fim de todo o universo:

Coisa nenhuma subsiste, mas tudo flui. Fragmento ajusta-se a fragmento e as coisas assim crescem até que a conhecemos e nomeamos.

Fundem-se, e já não são as coisas que conhecêramos. Formados dos átomos que caem velozes ou lentos, vejo os sóis, vejo os sistemas se ordenarem; e tanto os sóis como os sistemas lentamente derivam no eterno impulso.

Tu também, ó terra, teus impérios, países e mares a menor de todas as galáxias, também formada assim, também tu te irás, ó terra, e hora a hora vais indo, ó terra.

Nada subiste. Teus mares desaparecerão em névoa; as areias abandonarão o seu lugar, e onde hoje se acamam outros mares abrirão, com suas foices de brancura, outras baias.

Paulo Roberto Gomes

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