Tribuna do Leitor

A equação do trabalho no Brasil


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Um levantamento da Organização Mundial do Trabalho (OIT), divulgado em 01/09/2003, indicou que o brasileiro trabalha, em média, mais horas do que os trabalhadores na França ou na Alemanha. Mas produz aproximadamente um quarto do que eles produzem.

O documento mostra ainda uma queda de 0,2% da produtividade dos brasileiros entre 1980 e 1999 – enquanto a Colômbia, um país que sofre os efeitos de um conflito interno, teve um crescimento de 0,9% no mesmo período.

O Brasil segue na mesma trilha dos países da América Latina, onde as taxas de produtividade são menores do que as das economias dos países mais desenvolvidos de outros continentes. Um dos grandes problemas que afetam a produtividade dos brasileiros, bem como de todos os trabalhadores latinos, não é a falta de esforço, muito ao contrário, os trabalhadores do nosso continente estão provavelmente trabalhando mais duro e até com maior eficiência, entretanto, sem contar com a mesma tecnologia dos países ricos e desenvolvidos.

Isso fica claro na agricultura, onde o Brasil e os demais países da América Latina tiveram baixa produtividade em 2002, e o acesso a novas tecnologias é crucial para o avanço desse segmento.

Para se ter uma idéia comparativa entre os diferentes povos no quesito produtividade, nos EUA a produção individual foi de cerca de US$ 60,7 mil em 2002, contra US$ 54,3 mil dos Belgas (o melhor índice europeu) e apenas US$ 14,3 mil do Brasil.

Não é possível compararmos a remuneração dos trabalhadores brasileiros com os seus colegas americanos ou europeus. Nesse sentido estamos muito longe da realidade daqueles povos, embora nossa quantidade de horas trabalhadas seja maior, nossa remuneração é compatível com nossa produtividade.

Nossos metalúrgicos do setor automotivo são tão eficientes quanto os seus parceiros europeus ou americanos, embora seja justamente um setor onde a tecnologia esteja mais avançada em nosso território. Entretanto, a remuneração dos alemães é muito superior a dos brasileiros. Engraçado é que durante décadas nossos operários garantiram aos alemães da VW a supremacia em seus balanços, enquanto na Bavária a empresa trabalhava no vermelho.

Nessa equação, o grande diferencial está na cobrança de impostos, onde o trabalhador brasileiro paga o equivalente a cinco meses de impostos ao ano. Esse padrão de cobrança é semelhante ao dos trabalhadores europeus ou americanos, com apenas uma diferença crucial: eles têm um retorno de seus governantes para cada centavo tributado. Quer seja em programas sociais para a terceira idade, saúde pública, remédios, educação, segurança etc,.

Nessa equação, então, trabalhamos mais, produzimos menos em virtude de não termos investimento público e privado em tecnologias e pagamos impostos diretos e indiretos que nos fazem viver com dificuldades e sem perspectivas melhores.

Ainda para se ter uma idéia comparativa, o Japão tem uma carga tributária de 30%; o Canadá e a Espanha, 35%; e a Alemanha 36%, enquanto o Brasil tem uma carga de 32%. Alguém tem alguma dúvida quanto a melhor qualidade de vida que os trabalhadores desses países citados dispõe? Enquanto aqui o brasileiro tem de arcar com a educação de seus filhos em escolas particulares, segurança privada, planos de saúde particulares ou de convênios, mesmo pagando uma fortuna aos cofres públicos.

Concluindo, trabalhamos como os ricos, produzimos como os pobres, pagamos impostos como os ricos e recebemos dos governantes o equivalente ao grau de importância que eles têm para com o povo brasileiro, ou seja, algo muito próximo a zero.

Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6

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