Tribuna do Leitor

"Filhinhos"


| Tempo de leitura: 2 min

Antes de qualquer polêmica, deixo aqui registrado meu respeito por todos os seres componentes da nossa natureza que tem dentro de si também a centelha divina, em especial aos cães, os melhores amigos do homem, agora... entrar dentro de um supermercado com o “filhinho” peludo alegando que ele é mais limpo que muita gente, numa loja de roupas porque ele não fica sozinho no carro ou em casa, dirigir com o “bebê” no colo, numa agência bancária com o cão de guarda no colo, querer partilhar uma mesa de lanchonete com o bicho que “só toma água mineral”, é no mínimo afrontar o próximo que não tem o hábito de ficar babando ovo pelos bichinhos. Já se detectou uma profunda carência naqueles que substituem o convívio social pelas horas arrumando o “filhinho”. Devem também ser respeitados, mas será que já experimentaram garimpar o íntimo de uma criança, os anseios de um adolescente, a esperança de um adulto na vida moderna e o que dizer então da enorme bagagem de experiências de alguém da melhor idade? Quem sabe não encontraríamos naquele que nos parece tão próximo uma enxurrada de alegrias prontas para serem compartilhadas com alguém carente de emoções e experiências, quem sabe não somos surpreendidos com histórias fantasticamente reais, permeadas com segredinhos do tempo da vovó que ficaram por décadas a espera de um coração cheio de boa vontade onde pudessem germinar e florescer para a vida.

É verdade também que para muitos os animais são um companheiro na solidão que havia se instalado em sua vida, mas será que essa solidão não é originada exatamente no egoísmo e desprezo que às vezes essas pessoas nutrem pelo ser humano? Sempre é mais fácil cuidar de um cachorrinho que não nos questiona, que se mostra alegre com qualquer mimo ou biscoitinho, mas como não se regozijar com o aprendizado de uma criança, com a alegria dos adolescentes, com a conquista de objetivos dos adultos e a alegria dos mais experientes quando são escutados? Continuo acreditando no convívio como forma de evolução e superação das agruras do dia-a-dia. Sejamos felizes.

Marco Labão - RG 8.219.543

Comentários

Comentários