A presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, informou ontem que o comando nacional da legenda definiu que nas cidades com mais de 200 mil eleitores o partido terá candidatura própria à prefeitura. Bauru já ultrapassou a casa dos 210 mil eleitores.
Com isso, a possibilidade de o PT local articular aliança com outro partido ocupando uma virtual vice-candidatura a prefeito fica mais difícil. “Essa é uma postura da direção nacional. É forte a inclinação de que vamos segui-la. Devemos mesmo lançar candidatura própria”, diz Estela.
A petista explica que o comando nacional da legenda tem como planos o fortalecimento do partido nos municípios com mais de 200 mil eleitores.
A estratégia aponta para as eleições de 2006, que vão eleger ou reeleger o presidente da República e governadores de Estado.
“Daqui para a frente, vamos preparar o PT caminhando nesse sentido: candidatura própria à prefeitura. O próximo passo agora é iniciar uma movimentação interna na legenda, estabelecendo um calendário”, informa a presidente da executiva municipal do PT.
A partir desta decisão, ela diz que a liderança e a militância petistas vão ter de correr contra o tempo para definir os prefeitáveis e afunilar num único nome através de debates e prévia. “O comando nacional estabeleceu que até o início do ano o partido terá que ter um nome escolhido para a disputa”, conta.
Definido o candidato, o partido implementará a próxima etapa a ser cumprida, que será a escolha do vice e a articulação do arco de aliança que dará sustentação política às candidaturas. “A direção nacional quer participar da estratégia de marketing das campanhas municipais”, diz.
Historicamente, os petistas sempre tiveram como aliados os comunistas do PC do B. Pode ser que a aliança venha se repetir em 2004. Outro partido que poderá somar no grupo é o PPS, afinado em nível federal com o PT.
Estela prevê que o PT de Bauru não deverá mais enfrentar disputas internas acirradas, que acabavam por dividir a legenda em dois blocos ou mais. “Acredito que vamos ter uma configuração interna mais tranqüila. É lógico que aparecerá um ou outro entrave”, vislumbra.
Na hipótese de o PT sair derrotado no primeiro turno das eleições, o partido vai ser liberado para apoiar um dos vitoriosos que seguirá para o páreo final da disputa. A definição se dará através de debates entre os dirigentes e a militância.
Para o vereador José Carlos Batata (PT), o assunto ainda será tema de discussão em âmbito municipal. “Na verdade, há uma resolução do diretório nacional nesse sentido. Mas não há um fechamento de questão”, explica.
O parlamentar complementa que a decisão final será do diretório municipal. “Se o diretório municipal optar por não lançar candidatura própria, essa decisão vai passar pelo crivo dos diretórios estadual e nacional. O que posso dizer é que, se a eleição fosse hoje, o PT teria candidatura própria à prefeitura.”
A notícia de que o PT terá cabeça de chapa nas eleições municipais do ano que vem é um balde de água fria nas pretensões de algumas candidaturas a prefeito já definidas.
O ex-prefeito e ex-deputado Tuga Angerami (PDT), por exemplo, contava com uma virtual dobradinha com o PT.
As conversações já haviam se iniciado. Embora Estela não confirme as especulações, comentava-se que o vereador José Carlos Batata (PT) poderia ser a alternativa de vice na chapa de Tuga.
A presidente petista, neste caso, disputaria uma vaga à Câmara Municipal de Bauru.