Polícia

Funcionários são afastados da Febem

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A denúncia de maus-tratos que teria motivado a rebelião de anteontem na Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) resultou no afastamento de dois funcionários, que terão a conduta profissional investigada pela corregedoria da entidade, deslocada para cidade.

A informação foi confirmada pela diretora da unidade de Bauru, Maria Aparecida Cavalheiro Bien, que administrou o pior motim de menores registrado no município. Anteontem, um menor foi tomado como refém e sofreu ferimentos leves, assim como oito policiais da Tropa de Choque, que entrou na Unidade de Internação para controlar os revoltosos.

Na opinião de Bien, a animosidade dos adolescentes que denunciaram os servidores não é recente e teria sido herdada da administração anterior. “Agressões não são admitidas pelo presidente da Febem, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. Nossa proposta é educativa. O presidente da Febem pediu rigor na apuração. Pela primeira vez tomo conhecimento desse tipo de denúncia”, ressalta.

A ex-diretora da instituição, Edinéia Sita Cucci, também descarta qualquer tipo de violência na sua gestão. Porém, informações extra-oficiais dão conta de que supostos espancamentos teriam ocorrido na unidade local durante as férias dela, sem seu consentimento, por funcionários deslocados de São Paulo.

Se a acusação dirigida aos trabalhadores ficar comprovada, eles serão exonerados da função exercida na Febem. O nome dos dois será preservado enquanto a sindicância interna não for concluída.

O Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sitraemfa) critica o afastamento dos acusados. Na opinião do presidente da entidade, Gilberto Silva, os problemas envolvendo os trabalhadores são originários do quadro reduzido de servidores.

“O presidente da Febem em nenhum momento foi ao pátio acompanhar o trabalho realizado. É mais fácil afastar para dar uma resposta à sociedade. Esse procedimento está acabando com a instituição. Para cargos de confiança tem contratação de gente que nem trabalha”, dispara.

Para Gilberto, quando os menores percebem o número reduzido de funcionários, aproveitam para se rebelar. “O pessoal está exausto e corre risco de vida”, queixa-se.

Rotina

Mesmo nesse clima, a rotina dos servidores e dos menores na unidade local voltou ao normal ontem. Segundo Bien, apenas a oficina profissionalizante de panificação e a porta dos quartos foram danificadas.

“O resto das salas foram preservadas. Fizeram muita bagunça e tumulto, mas os danos foram poucos. Quase tudo foi recuperado, falta apenas consertar um alambrado e a panificação. Eles também arrancaram as torneiras do banheiro, mas é possível usá-lo normalmente”, explica.

Segundo ela, mesmo na noite da rebelião os adolescentes dormiram nos quartos, que tiveram as portas restabelecidas.

A única rotina alterada foi a do menor tomado como refém, que é mantido longe dos demais. Ele, a diretora da unidade e os policias não sabem informar por qual razão ele foi escolhido para ficar em poder dos amotinados.

“Não descartamos rixa pessoal ou o fato dele ter evitado participar da rebelião. Ele sofreu ferimentos leves, acho que tomou dois pontos, e retornou à unidade na mesma noite. Mas se os policiais não interviessem, a coisa poderia ser mais séria. Já conversamos com a mãe dele”, explica Bien.

Segundo a diretora, outros menores sofreram escoriações leve. O médico legista os examinava durante a entrevista, por essa razão, ela não soube informar quantos foram feridos levemente.

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Moradores vão ao Legislativo

O presidente da Associação de Moradores do Núcleo Habitacional Presidente Geisel, Alan Carlos Ursolino de Paulo, vai recorrer à Câmara Municipal de Bauru para estudar uma maneira de conter a reclamação dos moradores do bairro, preocupados com as ocorrências da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem).

“Vou procurar a Comissão de Direitos Humanos para consultá-los. Deixaram um barril de pólvora aqui e foram embora. Desde antes da instalação da unidade sinalizávamos com esses problemas. Os imóveis aqui tiveram uma desvalorização de 40%”, desabafa.

Um corretor de imóvel consultado pelo Jornal da Cidade, que preferiu não se identificar, confirmou que após o funcionamento da Febem, a procura por imóveis naquela região caiu. “Mas não acho que as casas desvalorizaram tanto. Se a situação de ontem (anteontem) se repetir, aí sim pode chegar a 40%”, diz.

Além de prejuízos imobiliários, o morador Pedro Dezan destaca outros índices que contribuíram para piorar a qualidade de vida dos moradores do bairro.

“Na época da instalação da unidade no bairro, disseram que ela iria trazer prosperidade e que atrairia comerciantes para cá, mas o que aconteceu foi o contrário. Supermercados e bares fecharam. A família dos internos é majoritariamente pobre para consumir qualquer coisa”, observa.

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