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Gargalos do crescimento


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Em recente encontro, realizado em São Paulo, do qual participaram empresários e altos executivos, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, citou famoso verso do poeta Drummond de Andrade numa alusão às pedras que estão no caminho do desenvolvimento do País.

Apesar do bom gosto literário, ficamos sem saber se, na opinião dele, as pedras foram ou não removidas. Cauteloso, Meirelles preferiu não se estender sobre o assunto.

Já que o presidente do BC se esquivou de analisar o que nos impede de crescer, arrisco-me a levantar algumas questões a esse respeito. Como explicar, por exemplo, o empenho com que o governo se esforça para arrecadar mais se, ao mesmo tempo, para fazer aprovar suas propostas, abre mão, de forma perdulária, de vultosos recursos?

Esse é o caso dos R$ 6 bilhões que admite perder para que seus aliados no Congresso aprovem a sua proposta de reforma tributária. E também dos R$ 3 bilhões, ao longo de 20 anos, aos quais terá de renunciar para atender às emendas feitas à reforma previdenciária.

Ora, se esses recursos (R$ 9 bilhões) são dispensáveis, o governo está extorquindo enormes sacrifícios à sociedade apenas para mostrar força à oposição.

Será que o presidente do BC, embora não a tenha citado, incluiu em seu raciocínio essa renúncia fiscal na lista dos gargalos do desenvolvimento?

A “generosidade” com que o governo trata os recursos públicos, nas reformas em tramitação no Congresso, contrasta com o desânimo empresarial, a queda do poder aquisitivo da população, a grave crise tecnológica e a situação social do País.

Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas entre as 500 maiores empresas privadas nacionais mostra que 43% delas tiveram prejuízo no primeiro semestre do ano. Por sua vez, os bancos registraram lucratividade média de 25% a 35% em idêntico período.

Não sou daquelas pessoas que só criticam. Por tal motivo, faço uma sugestão para remover algumas das pedras do caminho do crescimento. É preciso estreitar o relacionamento entre o setor produtivo e os institutos de pesquisa, quase todos sem verbas.

O resultado dessa parceria será a inovação tecnológica e o aumento da competitividade dos produtos que o Brasil hoje produz e exporta. Em pouco tempo, retomado gradualmente o desenvolvimento, o mercado interno, já com maior poder de consumo, também poderá beneficiar-se dessas vantagens.

Falta definir de onde tirar recursos para motivar a iniciativa privada a investir em tais inovações. Acho que os fundos de seguridade social, a serem criados após a sanção da reforma da Previdência, possam vir a complementar a ação que é hoje desenvolvida apenas pelo BNDES.

Esses fundos, alocados ao setor privado, poderiam gerar, com tranqüilidade, retorno de 12% ao ano, além da inflação, mais do que suficiente para complementar aposentadorias do funcionalismo público. Com o impulso, capitais fixos transformar-se-iam em capitais circulantes e o setor produtivo reproduziria suas forças. Em pouco tempo, a concorrência com bancos comerciais forçaria a redução dos spreads e a queda dos juros dos atuais 190% ao ano para patamares mais civilizados.

O autor, Osvaldo Palma, é empresário e ex-secretário de Estado.

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