O caminho de volta para casa está cada vez mais demorado para o condutor de Bauru. Com o crescimento da frota de veículos, em média, de 10% ao ano (leia mais na página 2), os pontos de lentidão aumentaram, prejudicando o fluxo de carros.
Os moradores reclamam da demora e cobram obras para o anel viário, que já existe no projeto.
Embora o trânsito ainda não se compare ao caos das grandes cidades e capitais, a situação já preocupa a população. É o caso de Luciana Costa, moradora do Jardim Ferraz.
Devido à morosidade nos horários de pico, Luciana teve que alterar o horário para levar seus filhos ao colégio: agora eles saem 20 minutos mais cedo.
O grande problema de Luciana é passar pela avenida Castelo Branco e pela rotatória Primaz Shugiro Otaki. “As crianças agora almoçam mais cedo. Se eu não sair de casa 20 minutos antes, eu fico parada no trânsito e perco de 12 a 15 minutos”, afirma.
“Eu via que eu estava deixando até as crianças aflitas dentro do carro. Agora, eu consegui ter uma qualidade de vida melhor. Estava estressante”, acrescenta.
A condutora acha “absurdo” o trânsito para chegar à rotatória. “A rotatória é bem enlouquecida para vir para a Castelo. Chega a formar fila”, destaca.
Luciana mora em Bauru há 11 anos e diz que percebe o grande aumento de carros nas ruas. “A conseqüência do aumento da frota é a lentidão no trânsito”, lamenta.
Luciana tem queixas, mas também tece elogios. Para ela, um ponto forte do sistema viário bauruense são os semáforos sincronizados. “Eu acho um sistema excelente; fantástico. Quando eu vou para outra cidade eu até estranho porque abre um e fecha outro”, salienta.
Na opinião de Waldir Caso, morador do Jardim Eldorado, é no Centro que se concentram os principais problemas de trânsito em Bauru. Ele afirma que os moradores da Zona Leste procuram alternativas quando vão para a região da Vila Falcão. “Não vamos pelo Centro porque é complicado”, afirma.
Waldir já não transita mais pela avenida Rodrigues Alves e tenta, sempre que possível, evitar também os principais corredores da cidade. “Eu não ando na Rodrigues Alves de jeito nenhum. Acho um horror aquilo. Só tem ônibus e muito farol. Não tem condições”, critica.
Quando precisa ir ao Centro, deixa o carro em um estacionamento distante e percorre o trecho final a pé. Ele mostra preocupação com o futuro do trânsito em Bauru.
“A situação está piorando. O Centro da cidade está cada dia mais horrível. Os ônibus passam praticamente todos pelo Centro da cidade. Com o aumento do volume de carros, vai ficando cada vez mais complicado”, salienta.
“Se não houver preocupação de investimento em grandes obras, seguramente o trânsito daqui a dez anos vai ficar insuportável”, reforça Waldir.
O morador do Jardim Eldorado acredita que é necessário melhorar o planejamento viário de Bauru, que atualmente deixa a desejar.
“Estamos caminhando para ser uma cidade grande, de médio porte, e precisamos pensar em avenidas, anéis viários. Mas do jeito que está o orçamento da prefeitura, acho que é sonho construir grandes obras para melhorar o sistema viário”, avalia.
O entregador Francisco Eudes Pereira também reclama. “Está um pouco lento. Tem muito semáforo e muito carro. A gente tem que desviar para achar caminhos bons”, diz.
O estudante Bruno Henrique Zacarias também tem queixas. “Está bastante lento e complicado por causa dos sinaleiros. Melhorou um pouquinho por causa dos sinaleiros novos, mas está demorado. Tem muito carro”, enfatiza.
Simone Bérgamo afirma que tem gastado mais tempo para percorrer os mesmos trechos. “Tem muito movimento. Tenho demorado mais para chegar de um lugar a outro na cidade. Fica complicado do Centro para a Bela Vista, por exemplo”, observa.
Para o vendedor Edvaldo Luiz Alves, o ponto crítico é o Centro. “A cidade cresceu e as ruas continuaram as mesmas. O número de carros também aumentou”, avalia.
O tempo de deslocamento do estudante Anderson Henrique Cruz chega a dobrar no caminho do Centro ao câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em horários de pico.
“No horário de pico é um inferno. Principalmente nas avenidas como Rodrigues, Duque e Nações. Tem muito carro nas ruas. De resto, não tem problema.”