A proprietária dos três cães da raça pit bull que mataram dois gatos, e feriram uma mulher grávida e um cachorro no último sábado, Micheli Cruz Braud Serejo, 27 anos, disse ontem que os seus animais são dóceis e tudo o que aconteceu foi uma fatalidade.
Para ela, a mulher grávida não foi atacada pelos cães, mas arranhada nas costas. Sobre a morte dos gatos, ela disse que não viu e por isso não poderia se pronunciar. O cachorro fox paulistinha, que tinha sido dado como morto no sábado, sobreviveu e foi levado para uma clínica veterinária e, apesar do estado grave, poderá ficar sem seqüelas.
A proprietária dos pit bulls disse que ficou revoltada com os vizinhos. Ela alega que houve exagero no caso. “Eles ficaram todos contra mim. Eu amo cachorro. Se eu encontrar um animal ferido na rua, levo para a veterinária e gasto com um cão que nem é meu. Eu jamais quis que isso acontecesse. Foi uma fatalidade.”
A mulher considerou um exagero os vizinhos comentarem que os animais fogem sempre. “Nunca aconteceu isso. Ele vivem no canil. Eles têm enforcador e focinheira para sair na rua.”
Serejo ficou confusa ao explicar como foi que os cães foram para a rua sem ela perceber. “Nós estávamos em casa e, ao contrário do que falaram para o jornal, eu não demorei uma hora e sim meia hora para perceber.”
Primeiro, ela disse que não sabia como os animais haviam fugido. Posteriormente, contou que a empregada havia colocado os cães para a frente da casa, a fim de lavar os fundos, e uma amiga dela abriu o portão para que um técnico de computação saísse da residência. “Se tivessem me avisado na hora, nada disso tinha acontecido.”
Foi um arranhão
A dona dos pit bulls alega que a mulher grávida não foi atacada pelos cães. “Eles arranharam ela. Ela foi levada ao pronto-socorro e estava tão calma que nem quis ir para a maternidade. O ferimento foi tão leve que nem cortou. Eles só pularam nela.”
A vítima, a nutricionista Dilene De Mai, conta que foi atacada pelas costas. “Quando eu vi os três pit bulls me virei contra o muro de uma casa e eles me atacaram pela costas. Eles não me feriram mais porque viram o cão e passaram a atacá-lo. Imagine você ter três cachorros babando no seu pé? Passei um pavor terrível.”
A nutricionista alega que não aconteceu nada pior por pouco. “A dona dos cachorros tem que assumir a responsabilidade de ter cães ferozes.”
O cachorro fox paulistinha atacado pelos pit bulls sobreviveu. “Ele não morreu. Eu levei o cachorro para a veterinária da minha confiança e ele está sendo tratado. Estamos aguardando 72 horas após a cirurgia para dizer que ele está fora de perigo”, disse Micheli.
Boletim
O boletim de ocorrência que registrou os fatos, e onde a reportagem publicada no domingo, foi baseada, informa que o cão estava morto. A própria veterinária, Maria Tereza Franco, admitiu ontem que, em princípio, o cão estava morto. “Ele chegou em estado de choque. Mas reagiu bem e poderá ficar sem seqüelas.”
A veterinária aguarda as 72 horas para colocar o animal fora de perigo. “Foram ferimentos de pele e musculatura.”
Os proprietários do fox paulistinha, Ademar e Lourisnéia Silva Martinez, esperam que o cachorro sobreviva. “Eu quero que ele seja salvo. Ele salvou minha filha de 8 anos do ataque dos três cães. A dona dos pit bulls chegou preocupada com os animais dela, nem se preocupou com a minha filha que poderia estar morta. Em nenhum momento ela perguntou sobre o terror que sofremos.”
Lourisnéia contou que a proprietária dos pit bulls disse que compraria outro cão para ela. “ Eu não quero outro. Quero o meu. Ele tem valor sentimental.”