As divergências que acontecem entre dirigentes de nações e, em pé de igualdade, entre uns e outros das sociedades em geral, indicam que o relacionamento social reinante entre os seres humanos não é, como se costuma dizer nas ruas, “essas coisas boas das quais se falam por aí...” Não teria de ser assim, porquanto as relações entre as pessoas são muito importantes, convenham todos, para ser marginalizadas ou repelidas de qualquer forma e com a mais inconcebível repetência. Ignoram tal verdade homens e mulheres de todas as idades e cores - branca, negra, amarela etc. - daí se desentenderem abusivamente em múltiplos assuntos, problemáticos ou não, aparentemente solúveis com uma simples colher de sopa... Vivem no vazio, sem cogitações superiores e, por isso, deixam de se despertar para o fato inconteste de que, conforme lembram os educadores, a relação, desde que corretamente adotada, possui todo um oceano de bondades, destinando-se então, dentre outras, a tornar mais fácil a vida de cada um, estimular a alguém ser do jeito com que sonha, levar quem sofre a ser socorrido pelo próximo, o médico no devido rol, e até induzir as pessoas a se abrirem para o mundo com a certeza absoluta de que a convivência pacífica e amorável não se destina a uns poucos, pois o universo é de todos, pertence a todos os seus habitantes, daí estar plenamente inserido na existência de todos e deles depender para realizar a sua evolução, de maneira natural, sem disputas ideológicas, sem desvirtualidades sociais e econômicas e, fundamentalmente, sem guerras fratricidas, destruidoras das melhores vocações humanas, iguais às que ocorrem nas cidades do Oriente Médio, onde povos vizinhos não se respeitam e se repelem como que repetindo os desencontros baseados nos quais irmãos assassinam irmãos sem serem guilhotinados pela Justiça oficial que, reconhece-se, não existe para conter o sistema de crimes bélicos. Transparece, então, o defeituoso relacionamento existente entre as pessoas, na dianteira dos desacertos das sociedades, não apenas daquelas circunscritas a civilizações ainda engatinhando, aprendendo a viver, mas também das mais evoluídas que se descobrem nas encruzilhadas da terra, já com os cabelos embranquecidos pela idade de suas estruturas. Que isso precisa forçar melhorias não padece dúvida, pois é chegado o tempo dos homens falarem menos e fazerem mais - frase da moda -, cruzarem-se educadamente nas ruas e se cumprimentarem, os dirigentes de empresas atenderem às necessidades dos empregados, os companheiros de trabalho darem-se cordialmente as mãos nas suas repartições e muita coisa mais importante que quer dizer, simplesmente, dever do relacionamento humano. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.