Política

Lelo e Agustinho se desligam do PTB

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Os vereadores José Walter Lelo Rodrigues e Paulo Agustinho anunciaram ontem que não estão mais filiados no PTB. A decisão ocorre a dois dias do início da sessão que julgará o mandato do prefeito Nilson Costa (PTB). Agustinho - membro da bancada que apóia Nilson na Câmara Municipal - garante que sua desfiliação do PTB não significa alteração no apoio ao prefeito. Já Lelo insinua que sua decisão está vinculada a pressões de dirigentes petebistas que gostariam de vê-lo votando a favor de Nilson.

Ele tem votado contra o prefeito e dá indícios de que vai manter esse posicionamento. Nos bastidores políticos, especulou-se que o presidente da executiva municipal provisória do PTB, vereador Milton Dota Jr., estava trabalhando para fechar questão a favor do prefeito na votação do processo que pede a cassação do chefe do Executivo.

Se isso ocorresse, caberia a Lelo seguir dois caminhos: acompanhar a orientação da direção do partido ou se desfiliar da legenda para ficar à vontade na votação que decidirá o futuro político de Nilson Costa.

O ex-petebista dá a entender que estaria sofrendo pressão para votar contra a cassação do prefeito. “A minha postura em relação às questões que envolveram vereadores e agora o prefeito todo mundo já sabe. Sempre mantive coerência na minha votação, independente de partido. Eu entendo que o voto precisa ser respeitado. Às vezes, as lideranças não consideram dessa forma”, esclarece.

A declaração de Lelo deixa claro que dirigentes do PTB estavam agindo na tentativa de convencê-lo a alterar seu voto. Porém, o presidente da executiva municipal provisória do PTB garante que não havia nenhuma tentativa de persuadir o vereador a votar a favor do prefeito.

“Nós nem conversamos sobre isso. Na verdade, os vereadores do PTB estavam liberados para votar da maneira que quisessem no processo da carne”, afirma Dota Jr.

O dirigente petebista explica que Lelo deu uma outra versão a ele sobre a saída do partido. “O vereador me disse que seu grupo político, liderado pelo ex-prefeito Osvaldo Sbeghen, estava deixando o PTB e que ele seguiria o mesmo caminho”, conta.

Dota Jr., no entanto, apimentou a situação ao comentar que Lelo teria recebido convite para se filiar ao PFL, comandado pelo vice-prefeito Dudu Ranieri, que em caso de cassação do mandato de Nilson assumiria a prefeitura. “Esse tiro poderá sair pela culatra”, avisa.

O ex-petebista não confirma e nem desmente a insinuação do dirigente da legenda. “Recebi convites praticamente de todos os partidos”, diz, com ingredientes de vaidade estampados no rosto.

Já as justificativas de seu colega, Agustinho, enquadram-se dentro da perspectiva eleitoral que deverá formar o cenário político do ano que vem. O parlamentar busca um partido - de preferência com poucos papa-votos ao Legislativo - que lance um forte candidato a prefeito para garantir a sua reeleição. No PTB, a candidatura a prefeito ainda é uma incógnita.

Na última eleição municipal, realizada em 2000, Agustinho não conseguiu a reeleição por 15 votos. O ex-petebista somou 2.014 votos, mas teve de amargar a derrota por conta de candidatos de seu partido que tiveram votação acima da sua. Ele retornou à Câmara após a renúncia do ex-vereador Roberto Bueno (PTB).

O prefeito Nilson Costa preferiu não se manifestar sobre a desfiliação de Lelo e Agustinho. “Seria uma ingerência no comando da legenda”, disse resumidamente.

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