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Circulando: Carona boa pra cachorro!

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

É comum vermos por aí animais rodando no interior de automóveis. Se tal fato já chama a atenção, imagine uma cachorra confortavelmente sentada na garupa de uma motocicleta como se fosse uma passageira? Pois é justamente o que ocorre quando o comerciante bauruense José Taciano Dias, 42 anos, resolve andar de moto pela cidade.

Este momento é a oportunidade mais aguardada pela cachorrinha “Nega”, o “bichinho” de estimação da família de Taciano, como ele é mais conhecido. “É só falar que vamos passear para ela ficar toda alegre”, conta o comerciante.

Realmente, o comportamento do animal impressiona. Basta Taciano ligar sua Yamaha para o barulho do motor fazê-la levantar a cabeça e as orelhas, balançar o “rabinho” agitadamente e fixar o olhar na motocicleta. Quando esta, já com o comerciante ao comando, se aproxima dela e pára, “Nega” dá um salto e se instala no local reservado originariamente ao passageiro.

Depois de devidamente acomodada, a “cadelinha” dá exemplo de educação no trânsito. Como todo bom motociclista e garupa deveriam fazer, “Nega” não sai sem seu capacete de fibra com viseira espelhada, acessório que Taciano providenciou com um amigo. “Ele é colecionador e me deu de presente”, revela.

Ele garante, ainda, que a cachorra é “boazinha” quando está andando na moto e só perde a “compostura” quando vê gatos. “Rodo por Bauru inteira e ela fica quietinha, pois só fica ouriçada se um bichano está por perto”, afirma Taciano. Mas, mesmo sendo comportada, “Nega” transforma-se no centro das atenções nas ocasiões em que está na motocicleta.

O comerciante destaca que, quando está nas ruas conduzindo a “ilustre passageira”, é alvo freqüente de brincadeiras e até de propostas para vender a cachorrinha. “Em uma noite um carro me seguiu só para vê-la e seus ocupantes me falaram que queriam estar com uma máquina fotográfica para registrar o fato”, recorda Taciano.

Em outra ocasião, continua o comerciante, um outro motociclista o parou oferecendo dinheiro para ficar com “Nega”, proposta imediatamente recusada por Taciano. “Não a vendo nem por um milhão de reais. A questão não é financeira e sim sentimental. É por dentro da gente que dá dó, pois ela faz parte da família”, ressalta ele, batendo a mão no lado esquerdo do peito.

E realmente o comerciante não exagera ao considerá-la como tal. Taciano destaca que a “cadelinha” compartilha do mesmo cardápio das refeições da residência. “Ela come de tudo que a gente dá, até fruta. Basta ver uma pessoa com prato na mão para querer também”, diz.

Além disso, acrescenta Taciano, “Nega” sempre está presente nas brincadeiras com seus filhos. “Dia desses, ela ficou quase inteira enterrada, apenas com a cabeça pra fora, e nem ligou. Ficou numa boa”, lembra o comerciante.

Se Vira nos 30

Mas as peripécias da cachorra na garupa inspiraram Taciano a tentar descolar uma grana extra para ajudar no orçamento doméstico. E a forma que ele encontrou para isso foi o “Se Vira nos 30”, quadro do programa global “Domingão do Faustão”, que distribui R$ 10 mil para a melhor apresentação de um quadro inusitado.

Incentivado por um amigo que já conhecia as “estripulias” da cachorra como “passageira”, Taciano e “Nega” já participaram das gravações efetuadas na região e, se forem selecionados, poderão comparecer brevemente ao vivo na atração comandada pelo famoso gordo de Araras. “Estou esperançoso para tentar arrebatar os R$ 10 mil”, frisa o comerciante.

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Atração do bairro

Ser uma “ilustre passageira” na motocicleta faz da cachorrinha de Taciano e sua família uma verdadeira “estrela” do bairro onde residem, no núcleo Bauru 22.

Exemplo disso é que quando “Nega” engravida, uma verdadeira lista de espera já está formada para ficar com seus filhotes. “Muitos ligam e chegam até a brigar por causa deles. Ela é muito boazinha e todo mundo quer suas crias. Por isso, não temos qualquer dificuldade para arrumar donos para eles”, enfatiza Taciano.

Além disso, “Nega” também é reconhecida onde quer que esteja no bairro. “Vou no mercado e todo mundo mexe com ela. Alguns brincam falando: Lá vem a Neguinha gasolina!”, conta o comerciante. O mesmo local marcou, ainda, um momento de apreensão vivido pela família.

Tudo ocorreu após Ana, filha de Taciano, ir com a cachorra ao estabelecimento para fazer compras. Após ter realizado a tarefa, dirigiu-se para sua residência com várias sacolas na mão, mas esqueceu “Nega”.

Resultado: quando voltaram ao mercado desesperados em busca da cachorrinha, encontraram-na folgadamente na lanchonete alimentando-se com guloseimas dadas por freqüentadores do local. “Foi só um susto, mas ela é assim mesmo. Não pode ver ninguém comendo que já quer também”, diz Taciano.

Mas o que poucos sabem é que “Nega” entrou por acaso, há cerca de cinco anos, na vida de Taciano e sua família. Na época, a cachorrinha ainda encontrava-se na casa da irmã de Taciano, que a recolheu da rua, onde foi abandonada pelo antigo dono. “Como ela não queria mais ficar com a cadelinha e minha filha é doida por animais acabamos adotando-a”, revela o comerciante.

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Perfil

Nome: José Taciano Dias Idade: 42 anos Profissão: Comerciante Hobby: Plantar e pescar Cor preferida: Vermelho Time do coração: Corinthians Lugar bonito: Florianópolis

Qual sua moto dos sonhos? “Uma 150 cilindradas.”

Para quem você nunca daria carona em sua motocicleta? “Para minha vizinha da frente.”

E quem você faria questão de ter como passageiro nela? “Minha mãe, que morre de medo de moto.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “A falta de respeito dos motoristas com os motociclistas. Alguns fazem questão de jogar o carro em cima da gente.”

Que nota você daria aos motoristas de Bauru? “Quatro. É o máximo para eles.”

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