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Bienal do Livro será fixa em Bauru

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

A perspectiva de a 2.ª Bienal do Livro de Bauru repetir e até superar o sucesso da edição de estréia, realizada em 2001, dá como certa a incorporação do evento ao calendário permanente da cidade. A informação é de Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial do Estado, uma das promotoras da feira, que fica montada na Universidade do Sagrado Coração (USC) até o próximo dia 28. “Se depender da gente, a cada dois anos a população de Bauru e região saberá que terá a bienal”, disse, antevendo para 2005 a terceira edição.

Desde que o projeto Circuito Paulista do Livro foi implementado para levar a bienal para o Interior, várias cidades sediaram o evento-entre as quais Sorocaba, Ribeirão Preto e Presidente Prudente -, mas Bauru é a primeira a consolidá-lo literalmente, ou seja, a recepcionar o circo literário pela segunda vez num intervalo de dois anos.

O privilégio de ter sido novamente escolhida foi motivado pela repercussão positiva da primeira edição, que, segundo Alquéres, superou as expectativas de público – 80 mil passaram pela feira em 2001 - de editores participantes e, posteriormente, se convergiu num aumento significativo de vendas nas livrarias. O que ele destaca como “o melhor de tudo”, entretanto, foi o reflexo do evento nas escolas, que detectaram a procura mais constante pelas bibliotecas.

“De todas as cidades que já integraram o circuito paulista, Bauru foi um destaque, embora a tradição de cultura na cidade e região seja anterior a isso. O próprio suplemento diário de cultura do JC e a grande contribuição da cidade em termos de jornalistas e escritores para o mercado indicam esse potencial cultural. Isso tudo faz com que a iniciativa no município frutifique melhor e saia à frente de outras que não possuem essa riqueza”, observa.

A expectativa da organização é de que 100 mil pessoas visitem os 41 estandes instalados no bloco K da USC. A feira trouxe aproximadamente 30 mil títulos e conta com a participação de 75 editoras de todo o País.

Apesar da finalidade comercial do evento, cuja movimentação financeira não foi informada, Alquéres acredita que a bienal extrapola o objetivo mercantil. “O essencial é a formação de novos leitores. Estamos trabalhando em conjunto com as direções de ensino de Bauru, Lins e Jaú, o que engloba cerca de 255 mil estudantes. A pessoa que lê bem, que interpreta bem e sabe transmitir o que leu é muito mais preparada para a cidadania, mercado de trabalho e relacionamento pessoal. Enfim, é um investimento que vale muito a pena”, conclui.

A Bienal do Livro de Bauru, assim como os demais eventos do Circuito Paulista do Livro, é resultado de uma parceria entre Imprensa Oficial do Estado, Câmara Brasileira do Livro e Associação Nacional das Livrarias, com promoção local da USC e Prefeitura Municipal e apoio do Jornal da Cidade, TV USC, Science Net, Edusc e TV TEM.

Interiorização

O Interior paulista já é tido como uma fonte inesgotável para o mercado editorial. A própria criação do Circuito Paulista do Livro, em 2001, confirma isso. “O projeto surgiu quando percebemos que um público potencial de leitores não freqüentava as bienais de São Paulo e Rio de Janeiro por uma questão geográfica. Os eventos que realizamos a partir de então só vieram ratificar que estávamos no caminho certo”, relembra Hubert Alquéres.

Para a Associação Nacional das Livrarias (ANL), a disseminação do evento pelo Interior é imprescindível para o aquecimento de mercado. “As bienais são semeadoras de novos leitores. Quanto mais consumidores tivermos, mais o produto será acessível em termos de preço e, quanto mais barato o produto for, mais pessoas terão acesso aos livros e, conseqüentemente, à cultura. Isso é bom para a construção de um País cidadão e é bom também para o desenvolvimento econômico do setor”, raciocina Jair Canizela, presidente da ANL.

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Além da biblioteca

Estudos informais realizados durante bienais do livro revelam que incentivar alunos a freqüentar bibliotecas ou realizar projetos extracurriculares não são fórmulas suficientes para formar leitores. “É preciso ir muito além disso”, constata Eduardo Yasuda, membro da Associação Nacional das Livrarias (ANL).

Segundo ele, noites de autógrafos e integração visitante-autor funcionam, muitas vezes, com mais eficiência. “As feiras do Interior têm mostrado que os autores de livros famosos são atrativos fortíssimos, daí a idéia de promovermos esses encontros. Ao passar a experiência de vida como pessoa, o autor consegue uma divulgação muito melhor de seus livros, o que resulta no aumento das vendas e aquecimento do mercado”, explica.

O leitor que conhece o processo criativo, que sabe como uma idéia surgiu ou baseou uma obra, teria uma propensão maior a adquiri-la, na medida em que passa a compreendê-la na origem.

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