África, América, Europa, Ásia e Oceania estão representadas de uma maneira muito gostosa na exposição “A volta ao mundo em 80 jogos”, no Sesc Bauru. A mostra interativa permanece até o dia 19 de outubro e recebe a visitação de escolas de Bauru e de cidades da região. A proposta é contar um pouquinho da história das civilizações a partir de jogos das mais diferentes culturas e épocas.
Para você ter uma idéia da diversidade que há na mostra, os jogos africanos são jogados com tipos curiosos de dados que nunca ultrapassam o número cinco. Um deles é feito com quatro pauzinhos e o outro é de quatro pirâmides com apenas uma pontinha branca. Você joga as pirâmides, as pontinhas brancas para cima definem o número, se somente uma, é um, se duas, dois e assim até o quatro. Para dar o número cinco, não pode cair nenhuma pontinha branca para cima. Com os pauzinhos, a dinâmica é semelhante.
Uma verdadeira caçada é o Bagha chall, criado no Nepal. O jogo é inspirado na realidade da época, quando o Nepal possuía muitas cabras e tigres. São quatro tigres, 20 cabras e um tabuleiro. Cada jogador - são dois - escolhe se joga com as cabras ou com os tigres. Os tigres querem comer as cabras e as cabras pretendem encurralar os tigres. Pode parecer impossível conseguir ganhar com as cabras, mas o jogo mostra que é possível ganhar abusando de estratégia. Com o Bagha chall, você aprende a diferença da qualidade - no caso o tigre, com sua força e agilidade - e da quantidade - a união das cabras para vencer.
Os espaços estão divididos por continentes. Por toda parte, há monitores treinados pelo Sesc que ensinam a jogar e, mais importante, contam a história dos jogos. É muito gostoso conhecer a cultura de determinada região pelos jogos que eram usados lá. Há jogos de estratégia, que auxiliavam os exércitos em guerras. Porém, o mais gostoso mesmo é aprender a jogar.
Garotada retorna sempre
Muitas das pessoas que visitam a exposição “A volta ao mundo em 80 jogos” retornam com mais tempo. É que tem tanta diversidade de jogos que todos querem aproveitar um pouquinho mais. Apesar de ter um grande público jovem, adultos também têm aproveitado para aprender e descontrair.
As irmãs Aline Letícia dos Reis, 11 anos, e Karoline Hágatha dos Reis, 9 anos, já visitaram a mostra várias vezes. O mesmo aconteceu com os irmãos Lucas Salles, 11 anos, e Matheus Salles, 13 anos, que travam verdadeiros desafios nos jogos de tabuleiro. Outra dupla de irmãos que freqüenta o projeto Curumim do Sesc e visita a mostra diariamente é Brayane Camargo, 8 anos, e Brayner Miguel de Camargo, 10 anos.
É interessante como a brincadeira entre irmãos, principalmente longe de casa, é muito saudável. As briguinhas ficam de lado e tudo se transforma em uma divertida competição.
Apesar de ter tanta coisa legal para conhecer, o Espaço Virtual da mostra foi apontado por todos como um dos mais interessantes. É onde ficam alguns jogos virtuais, mais relacionados ao universo da criança moderna. Hoje, a meninada não é acostumada a abrir um tabuleiro, mas a apertar um botão, clicar no mouse, enfim, é um universo um pouco diferente do passado.
A Aline, além do Espaço Virtual, comentou que se interessou muito por um jogo do continente asiático. “É um jogo que exige equilíbrio, concentração e paciência”, explica a garota. Ela ressalta: “Gostei desse jogo porque tem que usar a cabeça”. Já a irmã Karoline optou pelo continente europeu e elegeu o Bagatelle como seu preferido. “Tento fazer o maior número de pontos”, explica a menina.
A dupla Lucas e Matheus passou um bom tempo se desafiando no Fecha a Caixa. Um jogo que estimula o raciocínio rápido e a agilidade matemática. E um pouquinho de sorte nos dados ajuda bastante. “Tem que ter manha para jogar os dados”, explica Lucas. Ele também comenta que gostou bastante do Bagatelle e do Espaço Virtual. Já o Matheus aproveitou outros jogos. “Eu achei legal porque tem muitos jogos novos (desconhecidos), como o Jogo dos Vikings. É um jogo de estratégia, é preciso cercar o adversário”, ensina.
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