Era, aproximadamente, 21h do dia 16 de setembro de 1981, quando, do sobrado onde eu residia, ouvi as sirenes tocando, imaginando ser mais um incêndio na cidade. Mal sabia eu que, naquele momento, o meu melhor amigo estava sendo vítima de um bandido assassino e cruel.
Este meu amigo, o “Zé Alfredo”, nascido e criado na vizinha cidade de Reginópolis, era com quem eu repartia os melhores momentos da minha juventude. Fazíamos, nas tardes de domingo, rodadas com bóias da ponte do rio Batalha até o famoso pocinho da cidade.
O primeiro carro que “Zé Alfredo” dirigiu foi o meu Fusca, ano 72, na época zerinho, pois acabara de ganhá-lo do meu pai por ter entrado na faculdade de agronomia. E olha que ninguém relava no meu Fusca, tamanho o ciúme do carro.
Foi também na minha fazenda, em Reginópolis, que o “Zé Alfredo” estreou sua espingarda calibre 32, errando o alvo mirado.
Nessa nossa convivência, várias vezes almocei em sua casa, como um verdadeiro e estimado amigo, aliás, muito bem recebido pelos seus pais, o senhor Zelindo e a dona Léo.
Os nossos laços de amizade foram ficando mais fortes, principalmente porque gostávamos do mesmo esporte: o tiro. Mas, como precisávamos estudar, eu fui cursar a faculdade e o “Zé Alfredo” foi fazer a Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo. O tempo passou, eu me formei e ele saiu como oficial da PM. Confesso que fiquei muito feliz do meu melhor amigo ter conseguido uma profissão tão bonita.
Eu estou falando do tenente PM José Alfredo Cintra Borim que, na época, ao visitá-lo no 4.º BPMI, enchi-me de orgulho e satisfação quando um soldado se dirigiu a ele prestando continência.
Infelizmente, o destino não quis que o tenente José Alfredo seguisse sua brilhante carreira, ceifada por um bandido frio e covarde. Deus quis assim, mas hoje vivemos as mesmas emoções do passado na pessoa do seu irmão, o tenente coronel Alexandre Borim, atual comandante do 4.º BPMI que, pela sua simplicidade, dispensa comentários de sua capacidade e dedicação como oficial.
Eu sei que com palavras é difícil expressar todo sentimento e carinho que se tem por um amigo. De uma amizade sincera, sem interesses pessoais e, principalmente, de uma vida vivida em contato com a natureza e sem drogas. Época que traz saudade, contudo é duro saber que a ausência do amigo é real.
Hoje, após 22 anos, a garotada que passa pela praça Tenente José Alfredo Cintra Borim, ao lado de uma escola estadual de Reginópolis, nem sabe a razão do nome desse herói. Mas eu sei e muito.
Por isso, eu estou dedicando esse espaço ao “Zé Alfredo” e onde quer que você esteja, saiba que o seu amigo não esquecerá de você jamais.
Cármeno Giansante Ribeiro da Silva