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À sombra da reforma


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Justiça se faça recordando a enorme significação da qual se revestem os propósitos para os quais foi instituída a Organização das Nações Unidas. Concebida no extertor da penosa II Guerra Mundial, teria a ONU uma programação patriótica e humana, tendente a promover uma definitiva paz entre todos os povos, pois tinham sido mais que suficientes para martirizar a vida dos países envolvidos os sofrimentos causados por aviões, metralhadoras e outros projeteis em milhões de pessoas por força da insensatez de Hitler e seus seguidores. Era mais que necessário o surgimento, tão imediato quanto possível, de uma instituição capacitada para restaurar a harmonia internacional a níveis universais e durabilidade infinitiva, para que nunca mais os exércitos, as marinhas e as aeronáuticas, de qualquer parte que fosse, viessem a se encontrar novamente, um contra outro, repetindo o drama da década de 40 em terra, mar e ar. E, então, apareceu a ONU no cenário, tal qual era desejada com plenos objetivos, mas que não tem cumprido integralmente o desiderato, quase nada influindo para impedir a sucessão de conflitos que, nestes 60 anos, surgiram nos cinco continentes. A crise no Iraque, contudo, está sendo motivação para que ela se coloque no devido caminho. O ponto de partida é uma objetiva e patriótica reforma de seus estatutos, que lhe permita aumentar o número de países-membros e extinguir o Conselho de Tutela, criado para cuidar de protetorados, perdeu muito de sua significação inicial e, por isso, seria substituído agora por um novo órgão, que abrigaria manifestações da sociedade civil, admitido assim a participação de representantes de todas as sociedades nos estudos da instituição. E outras inovações estão sendo defendidas também pelos que advogam a reforma, entre os quais figuram, com destaque merecido, o próprio secretário-geral, Kofi Annan, que acaba de fazer um apelo aos países-membros no sentido de que se entendam com respeito às alterações que a Organização reclama, no seu entender “necessárias para lutar contra o que vê como grandes ameaças no mundo através das invasões de ambientes e oceanos”. Conforme frisa Annan, para que a ONU retome sua autoridade original não poderá prescindir dos projetos reformativos, os quais exigem urgência não só para impedir novos conflitos como apagar os que aí estão sendo desenvolvidos no Oriente Médio e outras regiões. A Assembléia-Geral da Organização, em andamento, terá de decidir imediatamente, promovendo suas reformas como o Brasil está fazendo com as suas, ainda que com muitas dificuldades. Não lhe falte paternidade para puxar as orelhas de quem perder o juízo. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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