Botucatu - Onze presos fugiram anteontem à tarde da Cadeia Pública de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru). Até o fechamento desta edição, apenas três haviam sido recapturados.
De acordo com o delegado Júlio César de Almeida Teixeira, diretor do presídio, o grupo teria conseguido fugir depois que um dos presos, que fazia o trabalho de faxina no local, teria conseguido abrir o cadeado de uma cela que abrigava 18 pessoas. “Esse preso provavelmente abriu com uma chave falsa o cadeado de uma das celas”, acredita.
Em seguida, os detentos serraram uma parte da grade que dá acesso ao pátio de banho de sol. No local, por meio de uma teresa (corda confeccionada com lençóis), subiram até a tela de proteção do presídio e burlaram o sistema de segurança, cortando a estrutura metálica e a cerca elétrica com um alicate isolado por madeira.
O alarme do presídio disparou durante a fuga. Mas apenas três dos 11 presos foram recapturados nas proximidades do local.
No dia da fuga, a cadeia estava superlotada, com 164 detentos. O prédio tem capacidade para 60.
O diretor afirma que os carcereiros não teriam percebido a movimentação do grupo. No momento da fuga, as roupas de cama dos detentos estavam estendidas no pátio de banho de sol e os fugitivos teriam se aproveitado da situação. “Eles se utilizaram dos varais para se esconder por detrás dessas roupas, impossibilitando que o carcereiro percebesse a presença deles no pátio”, explica.
Há mais de um ano, afirma o diretor, a cadeia não tinha registros de fuga.
Excesso
Segundo o diretor, em um ambiente de superlotação, como é a realidade do prédio de Botucatu, a população carcerária está mais propensa a desencadear fugas e rebeliões. Além disso, afirma Teixeira, o excesso de presos dificulta o sistema de vigilância.
Atualmente, 50% dos presos da Cadeia de Botucatu são condenados e aguardam vagas em penitenciárias. “Tem preso condenado há mais de 20 anos de reclusão e que está cumprindo essa pena numa cadeia pública”, relata.
O prédio de Botucatu foi construído no final da década de 60. Em 1997, o local foi reformado após uma grande rebelião, que culminou com dois mortos e a destruição da infra-estrutura interna do presídio. Na ocasião, foram feitas obras visando aumentar a segurança do prédio, mas a arquitetura e as limitações de espaço não sofreram alterações.
“Apesar dela ter sido reformada e de ser uma das melhores cadeias, sua estrutura é completamente defasada do conceito de prisão que se tem hoje”, afirma Teixeira.
De acordo com ele, nos últimos anos a população carcerária vem experimentando um processo de crescimento e a cadeia pública já não suporta a demanda local.
Na opinião do diretor, o problema poderia ser resolvido com a construção no município de um Centro de Detenção Provisória (CDP), a exemplo de Bauru. Entretanto, não existem, hoje, iniciativas concretas nessa direção.