Não ignora a douta opinião pública a importância vital da escola na vida das populações. Assim é que tantas sejam as concepções que se tenham a seu respeito o iniludível é que nenhuma, nenhuma mesmo, deixará de reconhecer semelhante significação. E nem poderia ser diferente ou antagônico porquanto o que a escola fundamental ou primária irradia para seus alunos tem alcances reconhecidamente invulgares. Note-se, por exemplo, o quanto produz de positivo a frequência nos bancos estudantis, pois que se geram a partir dela exponenciais autênticos em todos os campos de atividade. Vêm da escola os melhores homens públicos, empresariais e, como não, a vida da própria escola que, depois de ensinar e educar para o mundo os seus alunos e encaminhá-los para cursos superiores, acaba aproveitando-os em seus domínios como professores e mestres privilegiados.
Testemunho do valor dos educandários está sendo magnificamente realçado por estatística divulgada pela Unicef (Fundação das Nações Unidas para a Infância) a qual revela que cerca de 123 robustos milhões de crianças e adolescentes, a maioria do sexo feminino, amplamente disseminados no universo, “estão presos num ciclo de total pobreza, doenças e explorações sexuais em virtude de absoluta falta de educação escolar”. A África é a campeã do problema, com aproximadamente 46 milhões de menores ausentes das casas de ensino. No Sudeste Asiático o absurdo não é menor, com as cifras se repetindo inexoravelmente. Escapa da crítica oficial e até ganha encômios espetaculares o Afeganistão, no qual o volume de meninas cresceu nas escolas primárias em apenas um ano, 2002, o equivalente a 37%. Então, o relatório da Unicef justifica a pobreza, existente na maior parte do mundo, como decorrência da falta de escolarização infantil, considerando-a “um enorme empecilho para qualquer esforço que se faça para solucionar o problema das enfermidades, maus tratos e abusos sexuais acometidos na faixa etária”. Opinar-se, portanto, quanto à necessidade de se reduzirem as dificuldades econômico-financeiras das regiões mais carentes da estratosfera significaria dizer-se que a largada em tal sentido tem como ponto de partida o encaminhamento das camadas infanto-juvenis rumo aos portões dos estabelecimentos de ensino para que passem a freqüentar rotineiramente o tipo de aculturação formal que lhes falta e, conseqüentemente, resulta na fome e demais deficiências humano-sociais das populações no seu todo. Trata-se de obrigação não só das autoridades competentes como dos pais, que mesmo quando analfabetos têm o dever indeclinável de inserir nos filhos a consciência de que precisam preparar-se para o futuro, aprendendo a ler e escrever enquanto é tempo. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.