Bairros

USP e Unesp lutam contra o álcool

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP) realizaram ontem a edição 2003 do “Dia do alerta sobre o uso excessivo de álcool nas universidades”. O evento tem como objetivo a conscientização dos perigos no uso indevido e abusivo de bebidas alcoólicas e de outras drogas. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também participou do movimento.

Na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), o “Dia do alerta” fez parte das atividades da 8ª Semana de Arte e Cultura da USP. A movimentação começou às 8h com o “Grito de alerta”, realizado pela Bateria Prof. Dr. Clóvis Marzola, formada pelos alunos da FOB, seguida da “Volta da balada sem álcool”, em que os alunos, funcionários e integrantes da comunidade universitária realizaram um passeio no câmpus, acompanhados da bateria. Ainda foram exibidos os filmes “Despedida em Las Vegas” e “28 dias”, que tratam da temática do alcoolismo.

Na parte da tarde, alguns pacientes, familiares e funcionários do Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais, o Centrinho, encenaram a história “Distúrbios de uma família”. A peça, que trata de problemas como solidão, brigas em família e alcoolismo, foi escrita e dirigida pelos próprios atores.

Na opinião da assistente social da FOB, Cristine Habib, coordenadora do “Dia do alerta”, a importância deste evento é poder envolver não só a comunidade universitária, mas toda a população. “Nós tentamos trazer os alunos, os funcionários e a comunidade com as passeatas, a mobilização, os filmes. E ainda os pacientes, nas discussões com os familiares, que acabaram apresentando uma peça. É envolver todo o nosso público”, diz Cristine.

Na Unesp, um grupo com professores e estagiários dos cursos de biologia e psicologia passou em todas as salas de aula para conversar com os universitários rapidamente. Foram entregues folhetos com informações da quantidade de doses de bebida alcoólica que seria possível ingerir sem alteração dos sentidos, além de um teste para cada aluno verificar se está bebendo demais.

“O objetivo dos folhetos e das nossas explicações foi mostrar como fazer o uso da bebida alcoólica sem danos para o organismo. Se a auto-avaliação do aluno indicou que ele está passando dos limites, nós indicamos alguns locais que ele pode procurar, com sigilo, para falar do seu problema”, diz Rosana Rossi Ferreira, professora do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências e uma das coordenadoras do “Dia do alerta” na Unesp.

Rosana explica que um homem adulto pode consumir, diariamente, sem prejudicar sua vida social e seus sentidos, duas doses de bebida alcoólica. Isso significa optar por duas latas de cerveja, ou duas taças de vinho, ou duas doses de whisky, vodka, cachaça ou martini. Para uma mulher adulta, o permitido é uma dose por dia, já que o organismo feminino possui menos enzimas metabolizadoras do que o masculino.

Em 1998, foi realizada uma pesquisa com universitários da Unesp para detectar o uso precoce e abusivo de álcool e drogas, baseada em um questionário da Organização Mundial de Saúde. Os resultados apontaram que 74,4% dos jovens havia consumido bebida alcoólica nos 30 dias anteriores. Além disso, 30% afirmaram beber mais de uma vez por semana, principalmente com amigos e nas repúblicas universitárias, onde também ocorre o maior consumo de drogas.

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