Cultura

Arte nos cemitérios

Da Redação
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Apesar de serem considerados por muitas pessoas como lugares mórbidos, os cemitérios podem ser verdadeiras fontes de inspiração para alguns artistas. Neles, os túmulos onde jazem os mortos e os caminhos que separam as sepulturas ganharam destaque especial através das lentes do fotógrafo bauruense Frank Simões.

Desde 1998, ele começou a fotografar cemitérios localizados em São Paulo e Santos, com o objetivo de mostrar a arte existente nesses locais. O resultado pode ser apreciado na mostra “Retratos do Silêncio”, que reúne 13 imagens em preto e branco e está em exposição a partir de amanhã, na Galeria “Angelina W. Messenberg”, no Centro Cultural de Bauru. O evento vai até o dia 10 de outubro, e tem entrada gratuita.

Frank, que há mais de dez anos atua na área da fotografia publicitária, desenvolvendo trabalhos de retrato e book, conta que desta vez, buscou realizar um projeto diferente. “Apesar de ser arte, o que eu faço é mais voltado para o lado comercial. Então resolvi sair do convencional e criar um trabalho que não faço no dia-a-dia”, diz.

Os cenários escolhidos para as fotos reuniram alguns cemitérios famosos, como o da Consolação e da Moócca, em São Paulo; e o Saboo, em Santos. Mas a intenção, de acordo com Frank, não foi mostrar o lado mórbido, mas sim, destacar a beleza existente nesses locais. “Acho que os cemitérios são bonitos e têm arte, muitos revelam diversas obras de artistas famosos”, observa.

Fotografias de túmulos, mausoléus, esculturas e obras de arte foram os principais enfoques da mostra, que registrou as cenas em ângulos que priorizam detalhes dos objetos e elementos do cenário. Outra característica das fotos ficam por conta de algumas marcas nas bordas, que se assemelham a pinceladas. “Usei um sistema de revelação diferenciado. O objetivo é mostrar algo que não tem começo e não tem fim”, explica Frank.

A técnica pode ser conferida em uma das fotos da mostra, que retrata uma escultura de um anjo no alto de uma sepultura. Ela é, inclusive, uma das imagens preferidas do fotógrafo. “Para mim é uma estátua, mas parece que ela tem vida. Sentada no túmulo, ela está bem pensativa e parece que ela está descansando”, aponta.

É justamente essa sensação de descanso e paz que Frank quis transmitir com as fotografias. Penso que o cemitério é um lugar tranqüilo Por exemplo, apesar do cemitério da Consolação ficar em um lugar muito movimentado, ao entrar, sentia um grande silêncio”, ressalta.

Na opinião do fotógrafo, a maioria das pessoas vai até o cemitério para velar um parente ou amigo morto, e acabam não dando importância ao significado da vida. “Não damos muito valor para vida, e quando vamos a lugar desse, acabamos refletindo mais”, analisa.

• Serviço

Exposição fotográfica “Retratos do Silêncio”, de Frank Simões. A partir de amanhã até 10 de outubro, na galeria do Centro Cultural de Bauru. Avenida Nações Unidas, 8-9, Centro. Informações: (12) 3235-1072.

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Instalação

A abertura da mostra - que será realizada amanhã às 20h30 - conta com uma instalação, que pretende oferecer ao público a oportunidade de sentir o clima da exposição. “Vou usar velas, mas não para transmitir a idéia de velório, mas para criar um ambiente aconchegante”, enfatiza Frank. Além da iluminação, a exposição terá como música de fundo o clássico “Réquiem”, de Mozart. “Apesar de ser uma canção fúnebre, ela não transmite morbidez”, garante.

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