Bairros

'Golpe do imóvel' faz quatro vítimas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Quatro pessoas procuraram a Polícia Civil para registrar que foram vítimas do “golpe do imóvel” nos últimos meses. São pessoas que afirmam não terem recebido de volta da imobiliária com a qual negociavam os valores dados para pagamento após o negócio não ter se efetivado.

Todos os reclamantes acusam a proprietária da Imobiliária Eskina Imóveis, Vera Lúcia Souza Bagagi Lopes. O JC procurou Lopes para comentar o assunto, mas não a econtrou. Até o fechamento deste edição ela não havia retornado os recados telefônicos deixados pela Redação.

A primeira queixa foi registrada em julho, quando ela teria lesado um cliente em R$ 4 mil. A vítima teria pago um sinal na compra de um imóvel, mas o negócio não vingou e o dinheiro não foi devolvido.

Segundo o delegado titular do 2º Distrito Policial (DP), Antonio Carlos Piccino Filho, quem prestou as informações, uma outra vítima teria perdido a mesma quantia, no início deste mês, numa operação comercial semelhante.

Há dez dias, a delegacia instaurou um inquérito policial contra Vera Lopes por estelionato. Numa transação de compra e venda de imóvel, um cliente teria pago R$ 21 mil pela compra de uma casa, mas a proprietária não recebeu o valor acordado e a venda não foi concretizada nem o montante restituído.

Reincidência

O mesmo golpe teria lesado uma diarista de 63 anos, que entregou R$ 5 mil - obtidos através do pagamento de uma aposentadoria atrasada - para comprar um imóvel. A filha de Benedita Maciel, a mais nova vítima, registrou anteontem um boletim de ocorrência.

“A minha mãe levou o dinheiro na imobiliária e ela fez um recibo e assinou. Disse que iria dar entrada nas papeladas, mas sempre que questionada alegava que não poderia fechar o negócio porque havia depositado o dinheiro na conta e o banco não o liberava. Também alegava que não tinha tempo de ir ao cartório”, conta a filha da vítima Rosana Maciel Gasparini.

Segundo ela, depois de muitas desculpas e desencontros, em concordância com a mãe, ela decidiu pedir o dinheiro de volta. Mas para isso, a condição de Vera Lopes era a presença de um advogado que, na opinião da família de Benedita, é fictício.

“Uma das minhas irmãs chegou a ir com ela na casa de um suposto advogado, mas estava tudo fechado. Depois, conversando com a vizinhança, soubemos que no local não mora nenhum advogado. A minha mãe está em estado de choque, sob efeito de calmante”, conta Rosana.

Sem saída, ela chamou a Polícia Militar e registrou um boletim de ocorrência no 2º DP, anteontem. “Durante o registro, soubemos de outras vítimas”, explica. Se o acusado for condenada pela Justiça por estelionato, pode pegar de um a cinco anos de reclusão por cada golpe, conta o delegado Piccino. Segundo ele, se o registro de ocorrências continuar e se for necessário, ele pode pedir a prisão preventiva de Vera Lopes com o intuito de preservar a ordem pública.

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Creci pede apuração

“Os casos foram comunicados à Delegacia Regional de Bauru do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci). Em agosto, foi registrado um termo circunstanciado na delegacia por exercício ilegal da profissão, prática constatada pelo Creci”, esclarece o titular do 2ª DP.

O delegado regional do conselho, Giasone Albuquerque Candia, confirma o registro policial e garante ter recebido mais de cinco denúncias contra a Eskina Imobiliária, que não obteve o registro do órgão.

“Já foram instaurados dois processos administrativos por procedimento profissional arbitrário e serão aplicadas as penalidades cabíveis”, enfatiza.

De acordo com ele, a Prefeitura Municipal de Bauru foi oficializada para que seja providenciada uma fiscalização, já que para estar em dia com o município a imobiliária tem que apresentar o registro do Creci.

“Caso as exigências da administração municipal não sejam cumpridas, a Eskina Imobiliária pode ser lacrada. Temos recebidos várias denúncias dessa natureza envolvendo outras imobiliárias porque com a crise, todo mundo quer ser corretor”, desabafa.

Ele ressalta que para atuar na profissão, o interessado tem que passar por um curso técnico em transações imobiliárias – com exigência mínima de 2º grau -, se submeter ao exame de proficiência para então conseguir o registro no Creci e atuar no mercado.

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