“Procura-se um amigo. Não precisa ser homem. Basta ser humano. Basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.†(Folha de S. Paulo, 29/12/1974) Creio haver faltado a Nilson Costa a presença desse amigo. Veja bem: falo de amigo, não de correligionário, de bajulador. Falo de amigo. Um amigo político, não necessariamente partidário, mesmo porque nossos partidos políticos são vazios de ideologia. Haja vista a dança macabra de políticos mudando de legenda. O amigo a que me refiro deveria ter livre trânsito por todos os segmentos da administração pública, sem contudo interferir no trabalho dos servidores municipais. Não sendo vulgar, agiria com integridade, imparcialidade, colocando o prefeito a par dos múltiplos problemas vividos pela comunidade. Faltou a Nilson Costa este amigo.
Cansativo, para não dizer deprimente, o debate que envolveu a perda de seu mandato. Ficou a impressão inelutável de que o prefeito não fora cassado, mas caçado, tal a veemência de alguns vereadores frente à tribuna da Câmara. Lembrei-me, no momento, de uma frase de um juiz do Rio de Janeiro - Eliezer Rocha, se não me engano -, que proferiu em sua sentença: “Enche tua alma de flores e esvazia tuas mãos de pedras.†Só a caminhada de uma existência que se faz longa convenceu-me de que nada prospera a não ser à sombra do amor. Não conheço o atual prefeito e não sou tão importante assim por ser por ele conhecido, mas espero que esse ódio não o alcance, porque o ódio ao lado de sentimentos negativos, mata!
A partir de 1964 fora admoestado, perseguido até, por haver proferido na tribuna da Câmara, como vereador, elogios a dois vultos da História: Mahatma Gandhi e Che Guevara. Embora usasse como arma apenas uma caneta, consideraram-me uma “ameaça à segurança nacionalâ€. Trinta e nove anos passaram-se desde então. Embora seja um leitor contumaz, não me lembro de encontrar qualquer citação elogiosa aos que governaram o Brasil por longos 21 anos...
John F. Kennedy, ex-presidente dos EUA, deixou-nos uma frase lapidar: “Não pergunteis o que o vosso país fez por vós; perguntai, antes, o que fizestes por vosso país.†Reside aí, talvez, a ingrata missão dos que se propõem julgar. Sinto-me confortável ao referir-me a Nilson Costa neste momento em que ele deixa de ser governo da cidade; ocasião em que ele se encontra menos acompanhado. Enfim, retomemos as palavras do cronista anônimo:
“Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se ver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.†(Álvaro Baptista Pontes - RG 2.477.567)