Nutricionistas admitem que algumas dietas hospitalares podem realmente ser estranhas ao paladar e ter aspecto desinteressante. Mas os profissionais têm inúmeras alternativas para driblar tais deficiências e transformar as refeições em momentos mais prazerosos.
A palavra-chave, segundo elas, é harmonia. Além das refeições serem cuidadosamente balanceadas do ponto de vista nutricional, é preciso pensar na combinação das cores, para incentivar o paciente a comer.
“O visual do prato é muito importante, mesmo quando se serve uma sopa. Afinal, primeiro a gente come com os olhos e com o olfato. Sempre mandamos algo vermelho no prato, por exemplo, pois essa cor alegra os mais deprimidos e dá um impacto bom quando se vê”, destaca a nutricionista Simone Tonelli Grassi, responsável pelo setor no hospital Unimed.
Neste sentido, as dietas pastosas e líquidas exigem mais criatividade, segundo Rosana Geraldo, gerente de Serviços de Apoio do Hospital Estadual Bauru. “Algumas misturas podem ficar feias depois de batidas no liqüidificador. A gente tem que prestar atenção nisso e mudar os ingredientes para mudar a cor. Então, um dia mais vermelho, um dia mais amarelado, outro dia um caldo verde”, sugere.
Ela informa que, nesses casos, é interessante enfeitar o prato salpicando um pouco de cheiro verde ou pedaços de legumes bem cozidos sobre o caldo para melhorar seu aspecto e alegrar o prato.
De acordo com a chefe de nutrição do Hospital de Base de Bauru, Alessandra Cristina de Oliveira, até mesmo pacientes que são alimentados por sonda e não sentem o sabor da comida ‘enjoam’ do alimento se não houver variedade nas cores.
Para as dietas restritas em sal, a alternativa mais usada é a de adicionar condimentos naturais, como orégano, pimenta, limão, mangericão, cheiro verde.
“Quando o paciente pode usar um pouco de sal (1 grama por refeição), a gente sempre serve um vinagrete com a comida e orienta o paciente a salgar o molho e depois temperar toda a comida. Fica mais fácil distribuir o pouco sal”, comenta Oliveira.
Crianças
Questionadas sobre a principal dificuldade na hora das refeições, a resposta é quase unânime: as crianças. Segundo as nutricionistas, os adultos entendem com maior facilidade a necessidade de comer, mas convencer os pequenos é bem mais difícil.
“A menos que haja uma restrição severa, a gente acaba cedendo em algumas coisas. Criança gosta de batata frita, de macarronada. Não é a alimentação ideal, mas se ela diz que vai comer, a gente faz, porque é muito melhor que ela ficar desnutrida”, destaca Oliveira.
“Lidar com a criança é mais complicado. A gente tem que ter jogo de cintura. Claro que não podemos liberar salgadinhos chips, chocolate, bolacha recheada, que não são bons para ninguém e são muito gordurosos. Mas temos que descobrir o que ela quer comer”, observa Grassi.
“Um dia desses, uma criança pediu macarrão branco, sem molho. Não era o cardápio do dia, mas nós fizemos só para ela. O mesmo já aconteceu com purê de batatas e até couve-flor. Se a criança disser que aquilo ela come, nós tratamos de providenciar”, acrescenta.
“Temos que buscar os melhores recursos para oferecer alimentação para cada paciente. E temos que adaptar nosso cardápio tanto quando o paciente não gosta de determinado alimento, como quando ele pede algo diferente (desde que não haja restrições àquilo)”, salienta Rosana Geraldo.
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Guloseimas proibidas
Uma das situações mais freqüentes dentro de um hospital quando o assunto é comida é o acompanhante querer levar guloseimas de casa ou da rua para o paciente que está internado. De acordo com as nutricionistas ouvidas, a recomendação geral é que o paciente só coma o que lhe for oferecido pelo hospital.
“Porque se eventualmente ele passar mal, nós temos amostras de todas as nossas refeições guardadas por 48 horas (72 horas em algumas instituições) e podemos encaminhar para análise. Agora, se ele come alguma coisa trazida de fora, não dá para termos esse controle, então, a gente não permite”, salienta Simone Tonelli Grassi (hospital Unimed).
Por isso, recomenda-se conversar com o médico ou nutricionista antes de oferecer qualquer alimento ao paciente. Alguns hospitais - poucos - até autorizam a entrada de biscoitos, iogurtes e frutas, mas só para pacientes que já estejam liberados para uma dieta geral. Em todas as situações, é necessário perguntar para a equipe antes de levar o produto.