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A excelência do tempo


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O que conta mais para uma cidade: ser uma ilha de excelência em determinado produto, ganhando destaque até no mercado externo, ou não depender de um único segmento e, com isso, ficar imune a um possível período de baixa dessa sua especialidade, que acabaria por repercutir por toda a sua economia? Como toda questão tem o lado de um, o lado de outro e o lado verdadeiro, digamos que o ideal mesmo é ser polo de desenvolvimento em, no mínimo, um setor, e ter mais uma penca de segmentos onde possamos estar presentes expressivamente.

Pela multiplicidade da sua economia, Bauru parece que se encaixa perfeitamente bem na segunda visão, já que não estamos inseridos em nenhuma lista de referências das cidades do Interior de São Paulo, colocadas na outra ponta do desaquecimento econômico que está sendo verificado na Capital paulista.

Como que a contrastar com os números da Capital, diversas cidades interioranas estão sinalizando um significativo aumento do consumo das famílias, e também de alguns segmentos da indústria, dos serviços e da atividade agrícola, refletido pelo crescimento das vendas a prazo - 9,4% em julho deste ano contra julho do ano passado, enquanto na Capital a queda foi de 7,8%, o que dá uma distância de 17% entre uma região e outra.

As pesquisas da Secretaria de Ciência e Tecnologia indicam 20 regiões onde despontam esses chamados pólos de desenvolvimento, e os seus respectivos carros-chefes: Baixada Santista (segmento de moda para a praia), Tietê, Cerquilho e Amparo (confecção infantil), Campinas (software), Limeira e São José do Rio Preto (jóias), Santa Gertrudes, Porto Ferreira e Vargem Grande do Sul (cerâmica), Jaú (calçados femininos), São Carlos e Ribeirão Preto (equipamentos médico-odontológicos), Ibitinga (bordados e enxovais), Tabatinga (bichos de pelúcia), Catanduva (ventiladores) Mirasssol e Votuporanga (móveis) e Franca (calçados masculinos).

Com quase 30 empresas que já percorrem o caminho do comércio exterior, exatamente pela excelência dos seus produtos, só pode ser por uma deficiência de informação que Bauru não esteja numa relação dessas, o que faria por consagrar ainda mais os segmentos onde tem se destacado como poucas. Sem fazer nenhum esforço é possível logo lembrar, dentre outros, do grande destaque da nossa indústria gráfica e de baterias, mais do que válidos para justificar a presença de Bauru nessa lista de ilhas de excelência que a grande mídia paulista acabou de destacar.

Mas por que estamos sendo vítimas dessa omissão? Será porque aqui as prioridades são outras? Os nossos homens públicos, por exemplo, certamente não têm tempo para pensar a cidade, nem de cuidar das coisas que favoreçam o seu desenvolvimento, muito menos em como promover a cidade e tudo que de maravilhoso temos aqui, seja no setor da indústria, como no de serviços, na agricultura, no comércio, na área da saúde e da educação.

Com tanto trabalho que têm para trocar acusações e aceitar qualquer tipo de denúncia, pouco se importando com a validade e a procedência da “munição” que recebem para se torpedear reciprocamente, agindo como verdadeiros marionetes manipulados maquiavelicamente por interesses disfarçados - mas que já se sabe totalmente nefastos para os destinos da cidade -, como encontrariam tempo para cuidar de coisas “menores” como trabalhar para promover a cidade, não é mesmo?

Já que falamos em nefastos cabe relembrar a frase difundida por um ex-presidente da República, emblematicamente enquadrado nessa identificação, por entendê-la como alerta para aqueles que hoje, em busca da sua verdade, nunca a da cidade, por pensarem exclusivamente em si próprios, nos seus grupos, nos seus esquemas, tendo sempre como alvo as próximas eleições, merecem mais do que nunca e de ninguém o implacável julgamento do tempo que, como Senhor da razão, dentro da excelência da sua função, não erra nunca. Ainda bem.

O autor, Flávio Antonio de Angelis, é jornalista e consultor de empresas com foco em treinamento motivacional - www.panoramaassessoria.com.br

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