A Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem mais um caso de leishmaniose visceral humana em Bauru. Trata-se de uma criança de 1 ano e 5 meses que mora na Vila Dutra e já está em tratamento, segundo informação do Departamento de Saúde Coletiva. Agora são quatro pessoas - um adulto e três crianças - com a doença na cidade, que até então nunca havia registrado esse tipo moléstia em humanos.
A leishmaniose visceral é transmitida pela mosca palha e acomete cães e humanos, podendo levá-los à morte. Equipes da Vigilância Epidemiológica do Município estão fazendo a busca ativa de novos casos na região da Vila Dutra, mas até ontem à tarde não havia outras pessoas sob suspeita, segundo o veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, coordenador do Centro de Controle de Zoonoses.
Em humanos, a doença tem tratamento, mas em cães, não. “Se a leishmaniose visceral for diagnosticada em cães, a recomendação é a eutanásia”, diz Gonçalves Neto. Oficialmente, já foram confirmados quatro casos em cachorros neste ano em Bauru, dos quais três foram sacrificados.
Equipes do Centro de Controle de Zoonoses estão coletando amostras de sangue dos cães em um raio de 200 metros dos locais onde foram registrados casos de leishmaniose. Gonçalves Neto conta que há vários cães sob suspeita da doença e alguns já foram sacrificados, por determinação dos donos, antes mesmo do resultado de exame sorológico ser conhecido.
Os exames são realizados pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, órgão oficial para fazer a análise das amostras de sangue. Sem identificar-se, o proprietário de uma cachorra de estimação, preocupado com o surgimento de casos de leishmaniose em Bauru, lembra que um erro de diagnóstico dado pelo instituto levou as autoridades de saúde a sacrificar mais de 3 mil cães em Lins e Araçatuba, há cerca de dois anos.
O JC não encontrou a direção do Instituto Adolfo Lutz em Bauru para comentar o caso. Gonçalves Neto ressalta que o exame sorológico é muito sensível, mas é o mais prático disponível para diagnosticar a leishmaniose canina. “Os outros exames são muito mais complicados para coleta, manipulação e resultado”, diz.
Outras duas doenças podem ser erroneamente apontadas como leishmaniose visceral no exame sorológico, alerta o dono da cachorra de estimação que entrou em contato com o JC. Gonçalves Neto explica que para evitar que animais sadios, que não apresentam nenhum sintoma da doença, sejam sacrificados, as equipes do Centro de Controle de Zoonoses orientam os donos que eles podem solicitar um exame parasitológico, que não é realizado pelo Instituto Adolfo Lutz.
O problema, no entanto, é que o exame não é realizado pelo Instituto Adolfo Lutz. O veterinário lembra que o Estado determina que em municípios com casos autóctones de leishmaniose visceral, como Bauru, o primeiro exame positivo para a doença já é suficiente para as autoridades de saúde determinarem o sacrifício do animal.
Porém, há donos de animais que não concordam com a norma adotada no Estado. “Pelo erro que aconteceu no passado, não confio no exame feito pelo governo e eu não vou entregar a minha cachorra, que tem um grande valor sentimental, em hipótese alguma”, diz o dono da cachorra.
Por outro lado, há pessoas que querem livrar-se de seus cães mesmo que o animal não esteja apresentando sintomas da leishmaniose, conta Gonçalves Neto. “Quem transmite a doença é a mosca palha, não o cachorro”, frisa.