A Polícia Militar (PM) de Bauru começa hoje a colocar em prática o projeto “Personalizando a Emergência”. De início, os policiais devem fazer uma campanha de divulgação do projeto visitando os moradores em suas casas.
A iniciativa tem como objetivo aproximar a comunidade dos policiais que trabalham nos bairros e no Centro da cidade e ainda desafogar o serviço telefônico 190, fazendo com que ele somente seja usado em casos reais de emergência. Nesta fase de divulgação do projeto, cerca de 100 mil folhetos devem ser distribuídos por toda a cidade.
Para facilitar o serviço da PM, Bauru foi dividida em 18 subsetores e cada um deles tem um sargento como responsável. Cada uma das seis bases comunitárias da PM da cidade foi dividida em três subsetores.
Nos folhetos, que serão distribuídos a partir de hoje, está impressa a foto do sargento responsável pela área e um número de telefone para contato. Por exemplo, os folhetos que serão distribuídos nos nove bairros que pertencem à Base Comunitária Sul terão a foto do sargento responsável pela área e seu telefone. Assim será em todos os 18 subsetores da cidade.
Além dos folhetos, os moradores vão receber também ímãs de geladeira com o telefone de contato com o responsável pela área. O lançamento oficial do projeto foi feito ontem de manhã, no auditório da Embratel.
“A finalidade principal do projeto é aproximar a polícia da comunidade, conquistar a confiança dos moradores. Com isso, muitas ocorrências serão evitadas”, acredita o capitão Manoel Messias de Mello.
Para o major Pedro Batista Lamoso, confiança é a palavra-chave da polícia comunitária. Por isso, na opinião dele, o contato mais estreito com a população é essencial para o sucesso do projeto.
Na opinião do capitão Wellington Venezian, é essa proximidade entre polícia e moradores que faz com que o índice de criminalidade seja baixo nas cidade pequenas.
Para o major Lamoso, o projeto “Personalizando a Emergência” vai ser “um marco” para a polícia comunitária em Bauru.
“Estamos iniciando algo que já foi implantado e está dando certo nos países mais desenvolvidos”, disse o tenente-coronel José Alexandre Borin, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar. Segundo ele, Bauru será a primeira cidade brasileira a desenvolver uma ação desse tipo.
De acordo com o comandante, a idéia do projeto nasceu no início dos anos 90. Desde então, vários policiais viajaram para países como os Estados Unidos e Japão para conhecer melhor as particularidades do programa.
Só emergência
A maior proximidade entre a polícia e a população tem também como objetivo reduzir o número de ligações telefônicas recebidas pela PM, por meio do serviço 190.
Levantamento divulgado ontem, durante o lançamento do projeto, mostra que, das 1.300 ligações recebidas diariamente pelo serviço 190, 60% são de cunho social. Ou seja, são pedidos de informações fora da esfera da segurança pública.
Como exemplo, o capitão Messias citou casos em que as pessoas ligam para o 190 para saber número de outros telefones, numa espécie de auxílio à lista telefônica.
Ainda de acordo com o levantamento, 20% das chamadas são trotes. As denúncias e pedidos de ajuda policial ficam restritos apenas aos 20% restantes das ligações.
De acordo com avaliação da PM, esse excesso de chamadas desnecessárias sobrecarrega o serviço e reduz sua eficiência.
Com a implantação do projeto, o comando da PM passará a monitorar mensalmente o número de chamadas, de visitas técnicas (de casa em casa) e das reuniões realizadas com um conjunto de moradores.
Dessa forma, será possível saber quais foram as áreas que apresentaram queda no número de chamadas não emergenciais e onde a conscientização precisa ser intensificada. O projeto é uma parceria da PM com o Jornal da Cidade.