É publico e notório na cidade de Bauru a preocupação que temos com a preservação da memória das lutas da classe trabalhadora e a repressão que atingiu suas lideranças durante os períodos ditatoriais. Há dois anos ou mais eu venho, juntamente com o companheiro de lides políticas Pedro Romualdo, trabalhando na montagem do site www.subversivos.com.br, visando divulgar as lutas empreendidas pelos hoje anônimos que lutaram para termos implantado em nossa Pátria o regime democrático, e pela melhoria das condições de vida da classe trabalhadora. Dentre tantos outros, consta em nosso embrião de site um resumo da história do militante José Ivan Gibin de Mattos, líder estudantil bauruense no final dos anos 50 e inicio dos anos 60, além de ativo militante do Partido Comunista Brasileiro. Com o advento do golpe militar de 1.º de abril de 1964, perseguido pela polícia e pelas forças reacionárias da Frente Anticomunista - FAC - o companheiro Ivan mudou-se de nossa cidade, indo militar politicamente em São Paulo e Rio de Janeiro, sendo um dos responsáveis pelo trabalho de agitação e propaganda do PCB. Tomando conhecimento de que fora condenado pela justiça de Pirajuí a dois anos de prisão, por sua participação ao lado do líder camponês Jofre Correa Netto na invasão da Fazenda Jacutinga, no município de Presidente Alves - fazenda esta de propriedade do decantado mau patrão J.J.Abdalla - e tendo conseguido bolsa de estudo, Ivan exilou-se em Moscou, tendo posteriormente residido na Tchecoslováquia e Itália, tão somente retornando ao Brasil com a lei de anistia, em 1979.
Nestas idas e vindas, perdeu contatos com amigos, parentes e namorada. No final do ano de 2002, recebi um simpático e-mail da sra. Deyse, solicitando notícias de Ivan. Não consegui atender ao seu apelo, pois de há muito tempo não tinha notícias deste bravo companheiro. No final de julho deste ano, recebi o convite de casamento de ambos, cerimônia a qual estive impossibilitado de comparecer em virtude de compromissos anteriormente agendados, e posteriormente vim a saber desta bela história de amor. Eram namorados quando da eclosão do golpe militar e nunca mais se viram, com cada qual seguindo o seu caminho. Deyse casou e enviuvou. Ivan casou e se separou. Deyse viúva, lembrava de seu grande amor da adolescência e resolveu procurar notícias a seu respeito na Internet, encontrando-as em subversivos. Quarenta anos após a separação, se reencontraram e casaram-se, sob as bênçãos do nosso site, ainda em construção.
Sejam felizes, sãos os votos da família subversiva.
Antonio Pedroso Júnior