Bairros

Impasse entre alunos e GAC emperra moradia estudantil

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A falta de um acordo entre estudantes e o Grupo Administrativo do Câmpus (GAC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru está emperrando o processo de construção de moradia estudantil, uma reivindicação de mais de dez anos da unidade.

Após o Conselho Universitário (CO), instância máxima da universidade, ter derrubado o veto que impedia a construção da moradia estudantil e o reitor da Unesp ter acenado a favor da execução da obra no próximo ano, o GAC condicionou a continuidade dos estudos técnicos necessários à inclusão do projeto no orçamento de 2004 à imediata desocupação das duas salas que servem de moradia para um grupo de alunos.

Diego Cruz, coordenador comunicação do Diretório Acadêmico Di Cavalcanti, diz que os alunos aceitam desocupar apenas uma sala porque não têm garantia de que a moradia estudantil seja construída. “Se sairmos agora, pode ocorrer o que aconteceu em anos anteriores: o projeto foi trocado por um auxílio aluguel. Além disso, a assembléia do início do ano, que decidiu pela acampamento no câmpus como forma de pressão, deliberou pela ocupação até a moradia ficar pronta”, afirma.

O presidente do GAC, José Carlos Plácido da Silva, garante que o projeto de moradia estudantil não será abandonado. “Estamos em um outro momento político e agora a filosofia da Unesp é de construção de moradia. Se o GAC é a favor, o CO aprovou e o reitor, em reunião com os alunos, se dispôs a esforçar-se para tentar incluir a moradia no orçamento de 2004, então não há necessidade da ocupação”, avalia.

Ele explica que o GAC pediu a desocupação porque precisa das salas para aulas e atividades paralelas. “Além disso, a ocupação é um instrumento que os alunos podem lançar mão a qualquer momento outra vez, caso a moradia não seja construída”, afirma Lauro Henrique Mello Chueiri, vice-presidente do GAC.

Cruz afirma, ainda, que a professora Loriza Lacerda de Almeida, vice-diretora da Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação (Faac) ameaçou cortar bolsas dos alunos envolvidos na ocupação. Ela diz que alertou - e não ameaçou - que os alunos que recebem a bolsa de auxílio aluguel e estão morando no câmpus poderão perder o benefício. “O dinheiro é para aluguel e se o aluno está morando em sala de aula, está havendo um desvio de finalidade. Esse benefício pode ser retirado e passado a outro aluno carente que está na fila”, completa.

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