Um dos maiores produtores de pimentões do Estado de São Paulo está na região de Ourinhos, mais precisamente na cidade de Bernardino de Campos (110 quilômetros ao Sul de Bauru). O agrônomo Cyrillo Wagner Moraes de Castro tem uma área plantada de cerca de 50 mil metros quadrados que comportam 25 estufas. A produção anual dele é de 18 mil caixas, em média. Toda a colheira é vendida para a Central de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).
Embora a região seja uma das maiores produtoras de pimentões, na cidade de Bernardino não há uma associação que agregue todos eles, frisa Castro. “Nós fazemos a venda individual, mas a entrega é coletiva. Temos um caminhão próprio que faz o transporte depois de completada a carga.â€
Para chegar a essa produção, o agrônomo está no mercado desde a década de 90. “Produzo desde 93. O pimentão colorido ganhou força em dez anos, mas é pouco divulgado, não tem um marketing em cima desse comércioâ€, lamenta.
O produtor diz que aos poucos o pimentão colorido passou a ser conhecido e muito utilizado por restaurantes na decoração de pratos. “Como o pimentão é um ingrediente de molhos, especialmente de peixes, os maiores consumidores são os orientais.â€
Segundo ele, além de São Paulo, o Rio de Janeiro também é um grande consumidor de pimentões. “Assim como a Argentina e o Uruguai, em menor escala. Na Argentina, o consumo é na forma crua. Eles usam no feitio de saladas.â€
Ele indica o cultivo de pimentões para os pequenos agricultores. “Especialmente os cultivados em estufas, porque é uma maneira de tornar a propriedade auto-sustentável.â€
Castro ressalta que a cultura de pimentões proporciona um trabalho familiar sustentável. “Não dá para ficar rico, mas é uma opção para o agricultor que não pode fazer altos investimentos e precisa sobreviver da terra.â€
Comércio de mudas
Em Piraju (130 quilômetros ao Sul de Bauru), vários viveiros produzem mudas para os produtores de pimentões em suas mais diversas variedades. Segundo o técnico em agropecuária Luiz Fernando Bagnatori, a procura por mudas aumentou bastante este ano, embora ele acredite que o consumidor final esteja relutante na compra devido ao preço.
“O verde é o mais comum, mais consumido e o mais barato. Ele não necessita de estufa, pode ser produzido em área descoberta, no campoâ€, explica.
As demais variedades, de coloração diferente, são cultivadas em estufas e o preço é mais caro. “Nós produzimos as mudas e acompanhamos o ciclo, damos assistência técnica.â€
Para ele, como fornecedor de mudas, os maiores produtores de pimentões estão na região de Piraju, Avaré e Óleo.
Pioneiros
Há 12 anos no mercado de plasticultura (cultura em estufas), a cidade de Santa Cruz do Rio Pardo (89 quilômetros ao Sul de Bauru) foi uma das primeiras a despontar no Estado de São Paulo com a cultura de pimentões, tomates e pepinos.
A busca por um fruto melhor motivou técnicos a pesquisar e a visitar quem já trabalhava no ramo, enfatiza o técnico em agricultura Oliveiro Bassetto Júnior. “Nós fomos conhecer as culturas em estufas na Holanda, Estados Unidos e outros países para não dar um tiro no escuro.â€
Na época, o pimentão era cultivado no campo e o maior produtor estava na região de Lins, com 180 hectares de plantação. Hoje, de acordo com o técnico, a região de Santa Cruz do Rio Pardo tem mais de 180 hectares de estufas produzindo, além do pimentão, tomate e pepino.
Conhecendo a plasticultura e a evolução que ela proporciona aos agricultores, os técnicos iniciaram o plantio das sementes para fazer a adaptação ao solo e clima brasileiro. “Percebemos o quanto o cultivo em estufa evoluiu a agricultura daqueles países e partimos para a empreitada.â€
O resultado foi bastante positivo, na opinião do técnico. “Conseguimos frutos mais resistentes. O pimentão cultivado no campo, depois de colhido, dura três dias. Após esse período fica murcho. O pimentão cultivado em estufas agüenta uma semana. A parede do fruto é mais consistente.â€
A durabilidade do produto fez com que ele ganhasse espaço no mercado. Os pimentões “exóticosâ€, coloridos, também passaram a conquistar o gosto do brasileiro. “O maduro (vermelho) fica com 70% do mercado, o amarelo com 29% e 1% das outras cores. O pimentão creme é produzido em baixa quantidade. O mercado ainda não o absorveu.â€
Com a evolução dos coloridos, o pimentão verde ficou sendo quase como um fruto de segunda categoria. Pode ser cultivado no campo, tem um preço mais acessível, porém seu sabor é diferente, ressalta Júnior.
A demanda por mudas de pimentões exóticos cresceu nos últimos dez anos, confirma o técnico. “Comercializamos dois milhões de mudas por ano. Para o sucesso do produtor, acompanhamos o ciclo, treinamos o produtor desde a irrigação do solo até a colheita.â€
Comercialização
Com produtos mais resistentes e de qualidade superior, os produtores ganharam mercado, segundo o técnico. “Os produtores dessa região comercializam seus produtos com a Ceagesp de São Paulo e com grandes redes de supermercados.â€
Júnior enfatiza que a organização em associações, por exemplo, pode ser lucrativa. “A organização dos produtores vai gerar um controle maior sobre o cultivo. Podemos ter um controle da quantidade de frutos a ser colhido e a negociação com grandes redes de supermercados se torna mais fácil.â€
Ele ressalta que, sem o atravessador, fazendo a comercialização direta, o consumidor final leva vantagens. “O produtor tem a garantia de venda e o consumidor final pode ter um preço mais acessível.â€
Fixar homem no campo
Na região de Santa Cruz do Rio Pardo, o pimentão exerceu um papel social, evitando que o homem do campo deixasse sua terra para viver, na maioria das vezes, em péssimas condições na cidade.
O técnico diz que como o rendimento das hortaliças é rápido e certo, o sitiante parou de vender suas terras e debandar para a área urbana. “Foi uma mudança significativa para o pequeno agricultor. Nessa região do Estado temos 1.570 pequenos proprietários rurais que conseguiram se fixar .â€
No passado, os pequenos agricultores vendiam parte ou área inteiras, lembra. “Hoje, eles compram parte ou áreas inteiras para ampliar as estufas.â€
Júnior explica que o investimento inicial para a construção de estufas é recuperado, na maioria das vezes, no primeiro ano. “Há vários casos que o produtor recupera na primeira safra.â€
Para que o agricultor não fique na dependência do mercado de pimentões, ele indica o cultivo de pepinos e tomates, outras hortaliças que têm mercado certo.