Regional

Produto ganhou força nos anos 90

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Um dos maiores produtores de pimentões do Estado de São Paulo está na região de Ourinhos, mais precisamente na cidade de Bernardino de Campos (110 quilômetros ao Sul de Bauru). O agrônomo Cyrillo Wagner Moraes de Castro tem uma área plantada de cerca de 50 mil metros quadrados que comportam 25 estufas. A produção anual dele é de 18 mil caixas, em média. Toda a colheira é vendida para a Central de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

Embora a região seja uma das maiores produtoras de pimentões, na cidade de Bernardino não há uma associação que agregue todos eles, frisa Castro. “Nós fazemos a venda individual, mas a entrega é coletiva. Temos um caminhão próprio que faz o transporte depois de completada a carga.”

Para chegar a essa produção, o agrônomo está no mercado desde a década de 90. “Produzo desde 93. O pimentão colorido ganhou força em dez anos, mas é pouco divulgado, não tem um marketing em cima desse comércio”, lamenta.

O produtor diz que aos poucos o pimentão colorido passou a ser conhecido e muito utilizado por restaurantes na decoração de pratos. “Como o pimentão é um ingrediente de molhos, especialmente de peixes, os maiores consumidores são os orientais.”

Segundo ele, além de São Paulo, o Rio de Janeiro também é um grande consumidor de pimentões. “Assim como a Argentina e o Uruguai, em menor escala. Na Argentina, o consumo é na forma crua. Eles usam no feitio de saladas.”

Ele indica o cultivo de pimentões para os pequenos agricultores. “Especialmente os cultivados em estufas, porque é uma maneira de tornar a propriedade auto-sustentável.”

Castro ressalta que a cultura de pimentões proporciona um trabalho familiar sustentável. “Não dá para ficar rico, mas é uma opção para o agricultor que não pode fazer altos investimentos e precisa sobreviver da terra.”

Comércio de mudas

Em Piraju (130 quilômetros ao Sul de Bauru), vários viveiros produzem mudas para os produtores de pimentões em suas mais diversas variedades. Segundo o técnico em agropecuária Luiz Fernando Bagnatori, a procura por mudas aumentou bastante este ano, embora ele acredite que o consumidor final esteja relutante na compra devido ao preço.

“O verde é o mais comum, mais consumido e o mais barato. Ele não necessita de estufa, pode ser produzido em área descoberta, no campo”, explica.

As demais variedades, de coloração diferente, são cultivadas em estufas e o preço é mais caro. “Nós produzimos as mudas e acompanhamos o ciclo, damos assistência técnica.”

Para ele, como fornecedor de mudas, os maiores produtores de pimentões estão na região de Piraju, Avaré e Óleo.

Pioneiros

Há 12 anos no mercado de plasticultura (cultura em estufas), a cidade de Santa Cruz do Rio Pardo (89 quilômetros ao Sul de Bauru) foi uma das primeiras a despontar no Estado de São Paulo com a cultura de pimentões, tomates e pepinos.

A busca por um fruto melhor motivou técnicos a pesquisar e a visitar quem já trabalhava no ramo, enfatiza o técnico em agricultura Oliveiro Bassetto Júnior. “Nós fomos conhecer as culturas em estufas na Holanda, Estados Unidos e outros países para não dar um tiro no escuro.”

Na época, o pimentão era cultivado no campo e o maior produtor estava na região de Lins, com 180 hectares de plantação. Hoje, de acordo com o técnico, a região de Santa Cruz do Rio Pardo tem mais de 180 hectares de estufas produzindo, além do pimentão, tomate e pepino.

Conhecendo a plasticultura e a evolução que ela proporciona aos agricultores, os técnicos iniciaram o plantio das sementes para fazer a adaptação ao solo e clima brasileiro. “Percebemos o quanto o cultivo em estufa evoluiu a agricultura daqueles países e partimos para a empreitada.”

O resultado foi bastante positivo, na opinião do técnico. “Conseguimos frutos mais resistentes. O pimentão cultivado no campo, depois de colhido, dura três dias. Após esse período fica murcho. O pimentão cultivado em estufas agüenta uma semana. A parede do fruto é mais consistente.”

A durabilidade do produto fez com que ele ganhasse espaço no mercado. Os pimentões “exóticos”, coloridos, também passaram a conquistar o gosto do brasileiro. “O maduro (vermelho) fica com 70% do mercado, o amarelo com 29% e 1% das outras cores. O pimentão creme é produzido em baixa quantidade. O mercado ainda não o absorveu.”

Com a evolução dos coloridos, o pimentão verde ficou sendo quase como um fruto de segunda categoria. Pode ser cultivado no campo, tem um preço mais acessível, porém seu sabor é diferente, ressalta Júnior.

A demanda por mudas de pimentões exóticos cresceu nos últimos dez anos, confirma o técnico. “Comercializamos dois milhões de mudas por ano. Para o sucesso do produtor, acompanhamos o ciclo, treinamos o produtor desde a irrigação do solo até a colheita.”

Comercialização

Com produtos mais resistentes e de qualidade superior, os produtores ganharam mercado, segundo o técnico. “Os produtores dessa região comercializam seus produtos com a Ceagesp de São Paulo e com grandes redes de supermercados.”

Júnior enfatiza que a organização em associações, por exemplo, pode ser lucrativa. “A organização dos produtores vai gerar um controle maior sobre o cultivo. Podemos ter um controle da quantidade de frutos a ser colhido e a negociação com grandes redes de supermercados se torna mais fácil.”

Ele ressalta que, sem o atravessador, fazendo a comercialização direta, o consumidor final leva vantagens. “O produtor tem a garantia de venda e o consumidor final pode ter um preço mais acessível.”

Fixar homem no campo

Na região de Santa Cruz do Rio Pardo, o pimentão exerceu um papel social, evitando que o homem do campo deixasse sua terra para viver, na maioria das vezes, em péssimas condições na cidade.

O técnico diz que como o rendimento das hortaliças é rápido e certo, o sitiante parou de vender suas terras e debandar para a área urbana. “Foi uma mudança significativa para o pequeno agricultor. Nessa região do Estado temos 1.570 pequenos proprietários rurais que conseguiram se fixar .”

No passado, os pequenos agricultores vendiam parte ou área inteiras, lembra. “Hoje, eles compram parte ou áreas inteiras para ampliar as estufas.”

Júnior explica que o investimento inicial para a construção de estufas é recuperado, na maioria das vezes, no primeiro ano. “Há vários casos que o produtor recupera na primeira safra.”

Para que o agricultor não fique na dependência do mercado de pimentões, ele indica o cultivo de pepinos e tomates, outras hortaliças que têm mercado certo.

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