A vida do casal Arnaldo e Adriana Cláudia Pinho, pequenos produtores de Avaí (39 quilômetros a Noroeste de Bauru), sofreu uma reviravolta depois que eles conheceram a cultura de pimentões. De empregado de sitiantes vizinhos, Arnaldo passou a usar a terra herdada do pai e hoje é um dos produz mais de 1.000 caixas de pimentões por mês, o que lhe garante uma situação financeira mais estável. Ele já está terminando a construção da casa do casal.
O produtor conta que vivia com os R$ 300,00 que recebia de salário trabalhando na roça e com uma renda em torno de R$ 50,00 que lhe rendia a plantação de mandioca. “A terra eu herdei de meu pai. Eu moro na casa que é do meu irmão, porque não tenho a minha.â€
Os amigos e vizinhos de Pinho começaram a plantar pimentões e ele percebeu que ia dar certo. “Eles me falaram e eu acreditei. Vendi o meu carro e umas cinco vacas para construir a estufa. O dinheiro não dava e eu arrisquei um empréstimo bancário de R$ 2 mil.â€
A produção de pequeno porte em sua propriedade tem pouco mais de três hectares. Ele apostou nos pimentões de estufa e construiu uma de 600 metros quadrados. “Eu plantei pimentão alaranjado. Na primeira safra colhi 1.150 caixas.â€
A produção possibilitou que o casal pagasse o empréstimo e se mantivesse financeiramente por um ano. “Essa estufa já está no terceiro plantio. Eu fiz um novo empréstimo e construí uma estufa de 900 metros quadrados.â€
A nova estufa está na segunda colheita. “Na primeira, colhi 1.400 caixas e, na segunda, 400 caixas, porque não completou o ciclo. Uma praga atacou a raiz da plantação.â€
A cultura de pimentões garantiu uma ganho semanal para o casal, que já está terminando a obra da tão sonhada casa de alvenaria. “São cinco cômodos que eu comecei a construir em fevereiro. Cada tijolo foi comprado com dinheiro ganho do pimentão.â€
Além da construção da casa, o casal consegue dar uma vida melhor para as duas filhas menores, frisa Adriana. “A cultura do pimentão mudou a nossa vida. Antes, a gente não podia comprar um brinquedo para as crianças. Hoje, nos dois podemos comprar roupas e brinquedos para elas.â€
União da família
A produtora Marilúcia Oliveira Lima dos Santos, de Presidente Alves (56 quilômetros a Noroeste de Bauru) agrega um valor inestimável à cultura de pimentões. “A cultura de pimentões uniu a nossa família. Trabalhamos juntos e felizes. Meu marido e meu filho cuidam da parte mais pesada do trabalho e eu e minha filha ficamos com o serviço mais delicadoâ€, conta.
O pagamento semanal é um alívio para ela. “Nós trabalhávamos com leite e queijo mussarela que eu mesma produzia. O dinheiro era curtoâ€, comenta.
Com a renda, a produtora consegue cumprir seus compromissos em dia. “Posso pagar as contas toda semana.â€
Nos oito alqueires de terra, a produtora construiu duas estufas e já colheu mais de 1.789 frutos em cada uma. “Nós construímos uma estufa primeiro. Com o lucro, construímos a segunda.â€
A família está tão entusiasmada com os ganhos proporcionados pela cultura do pimentão que já sonha com um carro novo. “Temos um carro velho. Pretendemos adquirir um novo.â€
Fazendo amigos
A produtora enfatiza que com a Pare sua vida mudou. “Vou em todas as reuniões da associação. Lá, conheci vários produtores vizinhos e fiz amigos. Hoje temos um relacionamento maior com os agricultores da região, além de contar com o apoio técnico.â€
Para ela, o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal foi importante. “Muitas vezes, tínhamos dúvidas e não havia um técnico para aconselhar. Hoje, com as visitas dos profissionais, ficou mais fácil resolver os problemas.â€
O trabalho nas estufas, que no meio do dia chegam a ter uma temperatura alta, não incomoda a família Santos. “Procuramos trabalhar no período matutino e no final da tarde, quando a temperatura é menor e suportável.â€
Inclusão social
Esposa de agricultor, Adriana Cláudia Pinho está entusiasmada com a nova vida. “Eu ajudo ele nas estufas e como recompensa temos uma vida social e financeira melhor.â€
Ela lembra que antes, quando o marido trabalhava fora da propriedade, ficava sozinha em casa. “As crianças iam para a escola. Entrei em depressão porque a vida era muito monótona.â€
O trabalho em conjunto fez com que Adriana fosse inserida no mercado de trabalho. “Eu trabalho e participo das reuniões da associação. Eu não entendia nada de plantações. Hoje, já sei muita coisa sobre a cultura de pimentões.†A renda obtida com a plantação de pimentões também proporcionou uma coisa rara para a família. “Já fomos visitar nossos parentes em Guarantã e Avaí, coisa que não fazíamos antes.â€