Regional

Pimentão muda vida de agricultores

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Pequenos produtores da região de Reginópolis (65 quilômetros a Noroeste Bauru) “descobriram” uma cultura que pode ser desenvolvida em pequenas áreas, com baixo investimento e rendimento rápido e certo. A cultura de pimentões amarelos, vermelhos, alaranjados e pepinos tem mudado a vida dos agricultores que sofriam com a falta de acesso à informações e orientações técnicas.

De mãos dadas, eles fundaram uma associação batizada de Produtores Associados de Reginópolis e Região (Pare), que agrega 36 deles. Os pimentões colhidos na região já conquistaram o gosto dos argentinos e chilenos. Na semana passada, três carretas saíram com destino a esses países.

Recém-nascida do idealismo do produtor Walter Ribeiro, a associação já conquistou o respeito junto à área técnica que dá orientação coletiva aos produtores. “Contamos com a orientação técnica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal e do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Com isso, os associados têm acesso à assistência técnica e aprendem a reduzir custos, além de aperfeiçoar a qualidade dos frutos”, explicou Ribeiro.

Os associados, que possuem propriedades rurais nos municípios de Avaí, Reginópolis, Pirajuí e Presidente Alves, num raio de 20 quilômetros, produzem cerca de três mil caixas por semana, uma média de 12 mil ao mês. A venda é feita individualmente e o pagamento é semanal, o que garante um capital de giro rápido e dá fôlego ao produtor para investir na terra.

Mas a maior vitória da produção de pimentões e também de pepinos é que a cultura é familiar, fixando o homem na terra. “Está fazendo a inclusão social desse segmento da população”, comenta, entusiasmado, o idealizador. “São pessoas simples que nunca saíam de casa. As mulheres raramente se relacionavam com as pessoas da comunidade. Hoje, elas participam das reuniões e despertaram para o conhecimento, além de trabalharem junto com os maridos.”

A fixação do homem no campo despertando seu potencial é o objetivo da associação, que já faz compras coletivas de insumos agrícolas e de produtos utilizados para o plantio e colheita dos frutos. “Estamos fazendo a primeira compra coletiva de fitilhos, que conduzem o pimentão no arame para que os galhos não fiquem caídos. A compra coletiva favorece a redução de custos. Neste caso, tivemos uma redução em torno de 30%.”

A comercialização dos produtos é feita individualmente aos permissionários da Central de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), porém, são coordenadas pela associação, explica a presidente do Pare, a agrônoma Maria Paula Sampaio Ferraz. “Nós coordenamos a venda. Os boxes têm 17% de comissão, eles ficam com 15% e devolvem 2% para a associação. Nós não cobramos nada do produtor.”

O preço do pimentão nas variedade amarelo, vermelho e alaranjado é melhor no mercado de hortaliças, frisa a presidente. “Nós produzimos o pimentão classe A, a espécie que produz frutos de grande porte. A caixa é vendida a R$ 15,00. O produtor ganha R$ 10,00 livre.”

Cada pé de pimentão, explica a agrônoma, leva três meses para começar a produzir e dá lindos frutos durante sete meses. “Depois desse período, a planta é arrancada e novo plantio tem de ser feito. Por enquanto, estamos comprando as mudas.”

Ela garante que, com a venda da produção de sete meses, o agricultor sobrevive os três meses em que aguarda a planta crescer e começar a dar frutos.

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