Botucatu - O Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) foi credenciado no mês passado por uma portaria do Ministério da Saúde a realizar transplantes de fígado.
Além de Botucatu, o procedimento é feito em apenas quatro cidades do Interior do Estado – Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Campinas e Sorocaba. Na região, o HC é a primeira instituição capacitada.
De acordo com o responsável técnico do hospital indicado pela portaria, o cirurgião gastroenterologista Alexandre Bakony Neto, cerca de R$ 300 mil foram investidos na infra-estrutura do local, por meio da reitoria da Unesp, para que o HC estivesse apto a realizar o procedimento.
Bakony afirma que a instituição vinha se preparando há mais de dois anos para ser credenciada. “Todos os equipamentos foram comprados, o hospital foi equipado, atendendo os pré-requisitos da portaria do Ministério da Saúdeâ€, afirma.
Nesta quarta-feira será realizada a primeira listagem dos doentes do hospital, que têm indicação para o transplante de fígado. Os pacientes serão selecionados e, em seguida, encaminhados para a lista de espera da central de transplantes do Interior de São Paulo, onde devem aguardar o surgimento de um possível doador.
“Nós seremos comunicados quando, por exemplo, surgir um fígado que seja para o nosso doenteâ€, afirma o cirurgião. Nesse caso, a equipe de captação do HC será mobilizada e se deslocará até a cidade específica para remover o órgão e trazê-lo ao hospital para a realização do procedimento.
Segundo Bakony, ainda não há uma previsão de quando será feito o primeiro transplante no local. Entretanto, na prática, o HC já está preparado para realizar inclusive procedimentos em caráter de urgência. “Para esses casos não existe lista, e sim uma priorização, o que significa dizer que o primeiro órgão que surgir no Estado de São Paulo vai para esse doente. Então nós estamos sujeitos, por exemplo, a fazer um transplante amanhãâ€, explica.
De acordo com o cirurgião, em média são realizados anualmente cerca de 100 transplantes de fígado no Estado. Bakony não soube estimar quantos procedimentos devem ser feitos ao ano somente no Hospital das Clínicas de Botucatu. “Essa estimativa provavelmente nós vamos ter daqui a dois meses, a partir do momento em que a gente conseguir selecionar todos os potenciais receptores que temos aqui.†O cirurgião afirma que o hospital deve atender pacientes provenientes de toda a região.
No Brasil, existem cerca de 40 equipes médicas credenciadas para fazer transplante de fígado. A maioria, 34, está concentrada no Estado de São Paulo, das quais cinco são do Interior.
Na opinião de Bakony, o credenciamento do HC para o transplante de fígado representa uma grande conquista para a região. “Até esse momento, os nossos doentes eram mandados para Campinas para realizar o procedimentoâ€, conta.
Além do fígado, o HC também realiza transplantes de córnea, rim e pâncreas.
Centrais
No Estado, segundo Bakony, existem atualmente duas centrais que gerenciam o controle da lista de espera por transplante de órgãos, uma que atende a Capital e Litoral Paulista e, a outra, o Interior. Esta última, localizada em Ribeirão Preto, é chamada São Paulo Interior Transplante (Spit).
De acordo com Bakony, atualmente chega a 650 o número de pacientes listados pela Spit para o transplante de fígado. Na Capital, os casos saltam para 2.300. O tempo médio de espera na fila é de aproximadamente 24 meses.