Preciso iniciar esta missiva com um voto de solidariedade ao vereador Rodrigo Agostinho, em razão da derrota na aprovação do projeto que visava punir os cidadãos que desperdiçassem água. Não houve uma vitória da democracia ou da maioria, mas uma triste derrota pela vida.
Na verdade, a postura dos vereadores que se colocaram contra o necessário projeto não foi em atenção aos clamores da comunidade, mas uma preocupação com o próprio bem-estar quando das próximas eleições. Venceu, portanto, a legislatura em causa própria. A preocupação com o mandato individual foi (como era de se esperar) maior que a preocupação com o futuro do nosso ecossistema, numa absurda demonstração de involução, de apatia ambiental, de desprezo ou ignorância.
Lembro-me que, há trinta anos atrás, meu pai nos levava para brincar no rio Batalha; recordo-me de um rio de água cristalina, onde as famílias de Bauru iam passar o domingo à sua margem. Há dois anos atrás, levei meus filhos ao mesmo local, mas tristemente descobri que aquele rio cristalino transformou-se numa torrente de água suja, sem árvores à sua margem e sem as pequenas “praias” para brincar. Perdi a viagem, mas meus filhos perderam a chance de conhecer um ambiente saudável tal qual eu conheci.
O projeto do ilustre vereador visava proteger o direito de nossos filhos, e dos filhos de nossos filhos, quando impediria que essas pessoas que desperdiçam água, despreocupadas que são com o futuro, ficassem “lavando” a rua, jogando água cristalina para dentro do esgoto por mero capricho. A punição destes, ao contrário do que esposou o recém-assumido Paulo Agustinho, não é “pagar mais pelo excesso do consumo”, mas virá quando não tiverem a que pagar quando a água deixar de ser um bem acessível a todos. Mas, nesse triste caso, aqueles que zelaram também serão punidos por causa dos incautos.
Aliás, a multa não visava punir, mas impedir os excessos. Seria “impopular” caso o cidadão decidisse descumprir seus deveres perante a sociedade, só que isso não pode ser chamado de punição, mas sim de Justiça. Pergunto a cada um dos vereadores que votaram contra o projeto se algum dia seus filhos não reclamaram de medidas necessárias que eles tenham tomado, como pais, tachadas de “impopulares”? Por isso que às vezes precisamos ser impopulares para educar, pois o futuro é nossa obrigação, senão perde a vida e perde a comunidade. Nota zero à Câmara.
Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173