A chuva que caiu ontem não foi suficiente para afastar a crise no abastecimento de água em Bauru: à tarde, o rio Batalha continuava meio metro abaixo do seu nível normal e uma das três bombas que captam água do manancial e que precisou ser desligada no sábado, permanecia fora de operação. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) recebeu 38 reclamações de desabastecimento ontem e pede economia à população.
As reclamações partiram de moradores do Centro e da Vila Universitária, de acordo com a Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia. “A chuva ainda não alterou em nada a situação do Batalha. Para o rio recuperar o seu nível é preciso uma chuva continuada e na nascente. Por enquanto, a chuva não refletiu no rio”, diz.
A chuva acumulada ontem, até as 21h, foi de apenas 4,6 milímetros, de acordo com medição feita pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). A tendência, para hoje até sexta-feira, é de pancadas de chuvas e trovoadas isoladas em todo o Estado de São Paulo. Para a sexta-feira é esperada a chegada de uma nova frente fria ao Estado.
Como o rio Batalha abastece 42% da cidade (regiões da Vila Independência, Vila Falcão, Centro e zona sul), o risco de desabastecimento generalizado ainda existe, de acordo com o DAE.
Apesar de não alterar o nível do rio Batalha, a chuva de ontem amenizou o problema de falta de água na cidade porque refletiu na redução do consumo, segundo a assessora de imprensa do DAE. “No final de semana, quando estava calor, recebemos 800 reclamações de falta d’água. Hoje (ontem) foram 38 e algumas delas em função de manutenção de rede. O número de pedidos de caminhão-pipa também caiu”, conta.
Ontem, de acordo com Faria, os caminhões-pipa do DAE abasteceram apenas as caixas do Hospital Estadual de Bauru. Para economizar água, o síndico do Condomínio Vila Inglesa decidiu suspender temporariamente as lavagens de veículos no residencial. “Eu cortei a água dos dois boxes para lavagem de veículos porque é uma atividade que gasta muita água e tive a compreensão dos moradores”, diz Élio Bergamini, síndico do condomínio.
Ele frisa que o Vila Inglesa, onde moram cerca de 1.000 pessoas, tem reservatórios grandes e não chegou a ser afetado pela falta d’água. “A gente colaborando ajuda o resto da cidade. A limpeza dos blocos também mudou. Está sendo feita com baldes de água e não com a mangueira”, conta.
No Residencial Parque das Camélias, onde ainda não faltou água, o síndico Sílvio Rybezynski diz que também alterou o sistema de limpeza dos blocos. “Os blocos são lavados só uma vez por mês. A limpeza rotineira é feita com pano úmido. Já vínhamos adotando essa medida para reduzir os gastos, mas agora também passa ser uma questão de economia de água”, explica.
Apesar da administração do Residencial Shangri-Lá não ter estabelecido nenhuma medida de economia de água, o síndico Ângelo Diegoli acredita que muitos moradores deixarem de molhar seus jardins. “As pessoas já estão conscientes da necessidade de economizar, tanto que os jardins estão secos. Na minha casa eu senti que diminuiu muito a pressão da água”, afirma.
Por outro lado, há moradores que continuam desperdiçando água ao utilizar o jato para lavar calçadas e veículos, de acordo com a assessoria do DAE.
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Rios secando
Vários afluentes do rio Batalha estão morrendo, segundo o vereador e membro do Instituto Ambiental Vidágua, Rodrigo Agostinho (PMDB). Recentemente, um grupo do Vidágua percorreu os afluentes e constatou que eles estão assoreados. “O rio Batalha tem mas de 300 afluentes, sendo 25 na região de Bauru”, diz.
Os córregos, afirma, estão sendo vítimas da degradação ambiental. “Vamos propor a discussão conjunta, entre Bauru, Agudos e Piratininga, sobre quais são e onde estão as erosões que estão mandando terra para dentro dos rios e quais as propriedades rurais que ainda reflorestaram a mata ciliar”, diz.
Hoje é comemorado o Dia Internacional para Redução dos Desastres, cujo tema deste ano é água. A Defesa Civil do Estado de São Paulo propôs uma reflexão sobre o assunto e está direcionando ações de valorização dos recursos hídricos e prevenção às ameaças causadas pela água que causa inundações.
Em Porto Alegre, será aberto hoje o 1.º Fórum Internacional das Águas. O objetivo é buscar soluções para a previsão de que, em menos de 30 anos cerca de três bilhões de pessoas enfrentarão problemas crônicos de falta de água em pelo menos 52 países. (Com Agência Brasil)
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