Tribuna do Leitor

Um empurrão para exportar mais e empregar


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De acordo com o MDIC, de janeiro a junho deste ano, 13.996 empresas brasileiras fizeram vendas ao Exterior, um número 5,13% maior do que o do mesmo período do ano passado, quando 13.212 empresas exportaram.

Nos primeiros seis meses do ano, o maior número de empresas exportadoras (8.282) realizou vendas na faixa de US$ 10 mil a US$ 600 mil. Estará aí, seguramente, um grande número de pequenas empresas, comprovadamente as maiores geradoras de emprego do parque fabril brasileiro.

Muito mais empresas brasileiras poderiam incluir-se nessa categoria, no curto prazo, houvesse condições facilitadoras aos empreendedores da comunidade empresarial nacional, que os estimulasse, realmente, a pensar e agir mais sobre o assunto.

Um bom caminho, escola fantástica mesmo, são os mercados do Cone Sul, compreendidos pelo Chile, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. A similaridade da língua e costumes, a proximidade física e a baixa industrialização, exceto Argentina, fazem desses mercados o destino natural e primeiro das empresas que buscam o mercado externo como alternativa à expansão das suas atividades comerciais.

Com parque industrial muito diversificado, favorecido logisticamente pela proximidade física, o Brasil é o fornecedor continental mais viável, mesmo para quem não é vizinho como o Chile.

O Chile, aliás, é um colecionador de índices positivos de consumo como, por exemplo: é o segundo maior consumidor per capita de pão do mundo, é o quarto no ranking dos compradores de xampu e carne de aves, e que, em termos de América Latina, é o número um no consumo de produtos como chá, celulares, computadores, sorvetes e leite em pó.

Um outro exemplo é a Argentina, com um parque industrial sucateado pela recessão, que tem que se abastecer no mercado brasileiro de peças, partes, insumos e componentes para manter o reaquecimento da sua economia que ora se apresenta. São oportunidades comerciais para diversos segmentos que precisam ser identificadas e oferecidas às empresas, é o trabalho de uma inteligência comercial que ainda não dispomos.

A exportação, no entanto, é uma especialização, não um noviciado ou uma aventura, nem é uma tábua de salvação para empresas em crise.

A promoção da exportação no Brasil, por quem quer que seja, deve identificar a tênue ligação direta entre a capacidade existente - pessoas e profissionais com conhecimento e experiência em comércio internacional, sem a nociva ingerência leiga - e a demanda (empresários e pequenas empresas pouco preparados para atuar no mercado internacional).

Enquanto isso não ocorre, o pequeno empresário, gerador inconteste de emprego e renda, aguarda uma oportunidade real de oferecer os seus (bons!) produtos lá fora, para fugir do ambiente recessivo e da inadimplência desenfreada. Milhares de desempregados, que esperam e imploram por dignidade, estão aptos a produzir tais produtos. Também esperam.

O que está faltando, mesmo, é um bom empurrão para aumentar ainda mais as nossas exportações e dar trabalho a essa gente toda.

Paulo Roberto C. da Silva - RG 5.200.760

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