“Estávamos eu (Diego), o Toni, o Luisão (Burrão) e o Moita e fomos pescar no rancho que tenho no Jacaré, próximo a Bariri (minha querida cidade). Passamos o dia inteiro pescando, porém nada pegamos.
O sol já estava se pondo quando convidei os companheiros para irmos jantar, pois os pernilongos não davam trégua e nossos corpos já estavam pretos de tanta fumaça para espantar os benditos e nada de peixes. Entramos no rancho. Enquanto eu preparava o jantar, os companheiros ficaram jogando truco.
O jantar ficou pronto, todos comeram, exceto o Moita, que ficou comendo o dia inteiro, se esbanjando nos doces que dizia ser só dele.
A escuridão da noite chegou e com ela os sonos, roncos, puns dos companheiros, que dormiram no chão.
O Moita ficou acordado dizendo que estava com fome, porém ninguém deu bola, pois quem come o dia inteiro não pode ter fome à noite.
Lá pelas tantas da madrugada, todos nós escutamos estalos de galhos secos no chão como se fosse alguma coisa andando pelo espaço árido que tinha ao lado do rancho.
Acordei assustado, imaginando o que poderia ser, o Toni começou a pedir pela mãe, já o Luisão, sem acreditar no que dissemos, falou: ‘É fruto de sua imaginação!’.
O Toni retrucou: ‘Não é não!’. Mas o Luisão insistiu: ‘É sim’...
Bom, nessa teimosia de ambos os lados, criei coragem e fui até a porta. Ao abri-la, todos nós presenciamos uma coisa assustadora, o Moita comendo algo.
Ele, com a boca cheia, disse: ‘Afo que comi feu almofo’.
Todos nós caímos na gargalhada e ficamos realmente impressionados com o som.
Esta história é até hoje lembrada por nós e quando citada, todos nós caímos na gargalhada."
Rodolfo Diego dos Santos é pescador em Bariri e contador de histórias.