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Hemodiálise: problema pode ser a água

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A principal hipótese para o problema ocorrido no serviço de hemodiálise do Hospital de Base de Bauru (HB), que está suspenso, é a contaminação da água utilizada no processo. O atendimento aos pacientes da unidade foi interrompido na última segunda-feira e os pacientes vêm realizando seu tratamento em hospitais das região.

Por isso, ontem à noite seria iniciada a substituição de toda a tubulação de água e dos reservatórios utilizados na hemodiálise, segundo o administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), responsável pelo HB, José Cardoso Neto. Ele conta que os equipamentos que estão sendo substituídos têm menos de dois anos de uso, inclusive os filtros e membranas dos rins artificiais.

Maria Regina Trotta Pinheiro, uma das médicas responsáveis pela unidade de hemodiálise, confirma que diversas modificações serão realizadas nos próximos dias para possibilitar o retorno dos pacientes.

Especialistas em nefrologia e hemodiálise ouvidos pelo JC afirmaram que são grandes as chances dos problemas ocorridos em Bauru serem decorrentes de contaminação da água, ou seja, presença de alguma substância estranha na solução utilizada para a diálise.

De acordo com o nefrologista Antônio Pádua Leal Galesso, os doentes renais crônicos podem ter alguns calafrios no tratamento se alguma substância na solução de diálise provocar um pequeno choque pirogênico, causando também febre. “Mas são situações resolvidas sem problemas. Existem casos de infecção provocadas por bactérias, que podem causar até infecções generalizadas, mas não é o caso”, alerta.

Galesso comenta que a unidade de Bauru tem um serviço de alta qualidade, com aparelhos modernos e tratamento de purificação da água. “Apesar de todos os cuidados, os problemas podem acontecer. Quando os problemas começam a ocorrer com freqüência, tem de ser feito o que as doutoras (da equipe do HB) fizeram: parar e investigar”, declara o nefrologista.

Em uma unidade de hemodiálise, a água utilizada no processo de filtragem do sangue permanece em reservatórios fechados, e para chegar aos aparelhos de diálise, passa por diversas filtragens.

Na opinião do presidente da Associação Bauruense de Apoio ao Renal Crônico (Abrec), Nelson Rosa, a interrupção do atendimento da hemodiálise foi correta, mesmo com o incômodo causado aos pacientes, que estão sendo encaminhados a unidades de hemodiálise em hospitais de outras cidades. “Um centro de hemodiálise precisa de manutenção constante. Os pacientes tiveram os calafrios e tremores durante o tratamento, mas isso não é incomum. Por via das dúvidas, a direção do HB resolveu suspender e é melhor assim, até encontrar o problema”, afirma.

O presidente do Conselho Municipal de Saúde, José Perea Martins, também concorda com a suspensão do atendimento. “Eles tomaram as devidas providências, até solucionar esse problema com a água no tratamento, se é que o problema está mesmo na água. O importante era não deixar os pacientes sem o tratamento nem colocá-los em risco”, diz.

Há cerca de 60 dias, alguns pacientes começaram a reclamar de mal-estar, calafrios e tremores durante a hemodiálise. Na ocasião, a suspeita principal da Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10) já era de que a água utilizada no processo apresentasse alguma contaminação. Com o auxílio da Vigilância Sanitária, a unidade começou a ser investigada, mas nenhum indício de contaminação da água foi encontrado.

Na última segunda-feira, o atendimento aos pacientes foi suspenso temporariamente, para detecção e solução do problema. Os 103 doentes renais crônicos que realizam hemodiálise no HB estão sendo encaminhados para cidades da região, como Marília, Jaú, Botucatu, Lins e São Carlos.

A água é a base do preparado chamado de solução ou banho de diálise, utilizado na filtragem do sangue dentro do rim artificial. Devido a sua concentração e composição química, esta solução atrai as impurezas do sangue, através de uma membrana. O rim artificial exerce a função do órgão do paciente que teve perda das funções, realizando a remoção das substâncias tóxicas e excesso de líquidos do sangue.

Pinheiro afirma que cinco pacientes da unidade tiveram pneumonia e apenas um morreu no último mês, diferente do que foi publicado na edição de ontem do JC, quando Cardoso Neto informou que cinco pacientes em tratamento haviam morrido.

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