Ontem à tarde, mais dois casos de leishmaniose visceral em humanos foram registrados em Bauru. Com isso, sobe para sete o total de infectados pela doença na cidade. As informações são da secretária municipal de Saúde, Jaíra Maria Rocco Kirchner.
De acordo com ela, a doença acometeu duas crianças, uma de 6 e outra de 8 anos. Elas estão internadas no Hospital Estadual (HE) para tratamento. “As vítimas são dos bairros São João da Boa Vista e Núcleo Edson Francisco da Silva, o que mostra que a doença ainda está restrita àquela região (oeste) da cidade”, afirma.
Bauru vive uma epidemia de leishmaniose, doença que é transmitida a humanos e cães através da picada do mosquito palha. A secretária afirma que tentar conter o avanço desse mal é muito trabalhoso, já que é preciso fazer um controle dos animais infectados. “Estamos investigando, com o apoio de profissionais do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), as áreas afetadas, com o objetivo de localizar os cachorros contaminados”, destaca.
Para os humanos, a doença tem tratamento e só leva à morte se o indivíduo apresentar um quadro clínico muito debilitado.
Apesar de haver tratamento, a orientação dos órgãos de saúde é de que os cães doentes sejam sacrificados. “A vacina para a doença está sendo testada em Bauru, mas ainda não de forma efetiva. Tudo o que está sendo dito a respeito dela é prematuro”, afirma o chefe do CCZ, José Rodrigues Gonçalves Neto.
Para tentar coibir o avanço da doença, a partir de segunda-feira mais oito agentes de saúde estarão trabalhando em busca dos animais contaminados nas áreas mais atingidas pela leishmaniose (zonas noroeste e oeste da cidade).
No entanto, um percalço surge nessa campanha: somente os cães que têm dono são averiguados. Os errantes não estão sendo analisados.
Gonçalves Neto explica que o CCZ não tem estrutura para controlar a doença nos animais que vivem nas ruas. “Eles teriam que ser capturados e levados para o Centro de Zoonoses. Mas não temos como fazer isso, não há onde abrigá-los”, destaca.
Questionado sobre o que o órgão pretende fazer com relação a esse fato, ele respondeu: “Essa é uma boa pergunta”.
O problema maior é que os cães errantes não têm destino certo e podem levar a doença para outras áreas da cidade.
Gonçalves Neto destaca que, depois de anos de luta, o CCZ está sendo reformado. Até o final do ano, a obra deverá ser entregue. Com isso, o órgão - que é ligado ao Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde - terá, além de um canil, uma área para abrigar animais de pequeno, médio e grande portes. “Também teremos laboratório para analisar as zoonoses”, diz Gonçalves Neto.
No caso do controle da leishmaniose, ele acha que o sistema adotado atualmente - com a varredura nas áreas onde há foco da doença - é precário e não garante uma eliminação efetiva do perigo da epidemia. “A gente passa por determinado local e acha que fica tudo bem. Mas essa epidemia é dinâmica e pode mudar de área a qualquer momento”, afirma.
Ele diz que muitos donos estão ficando alarmados com a notícia da doença e soltando seus cães na rua ao menor sinal da distúrbio.
Até agora, as leishmaniose foi confirmada em 23 animais, todos eles eutanasiados (sacrificados). “Matar só não adianta. Tem gente querendo eliminar o seu cachorro em casa, temendo o contato com a leishmaniose. Mas as coisas não devem ser feitas dessa maneira. É preciso comunicar o CCZ”, diz.