A presença de bactérias na rede de água utilizada na hemodiálise do Hospital de Base (HB) de Bauru é a principal causa do mal-estar apresentado pelos pacientes da unidade. A médica Maria Regina Trotta Pinheiro, uma das responsáveis pelo serviço, informou ontem que a equipe técnica que investigava o que causou o problema encontrou endotoxinas bacterianas nos canos da rede, em pontos onde a água permanecia parada.
Estes locais são propícios para o desenvolvimento espontâneo deste tipo de bactéria, devido às propriedades naturais e substâncias presentes na água, segundo a médica. Um dos doentes renais crônicos que realizava seu tratamento na unidade está em coma desde a semana passada e outro morreu no último sábado. Um terceiro morreu no mês passado.
As famílias afirmam que eles adquiriram infecção durante a diálise, mas o hospital ainda investiga os casos (leia mais nesta página). Pinheiro relata que o surgimento de toxinas de bactérias já havia sido observado anteriormente em coletas de amostras da água, quando os pacientes começaram a apresentar mal-estar, calafrios e tremores durante a diálise.
“Na ocasião, tudo foi esterilizado. Colhemos amostras posteriores e o resultado deu negativo (à presença de toxinas). Com o tempo, as toxinas apareceram de novo”, diz. A água é a base da solução de diálise, que é utilizada na filtragem do sangue.
De acordo com Pinheiro, o número de canos e tubulações necessários para alimentar os 24 rins artificiais (aparelhos de diálise) é muito grande. “Hoje (ontem) estamos trocando todos os canos da tubulação. Estamos indo atrás dos pontos onde poderiam crescer as toxinas, pontos onde a água ficava parada ou locais sob o telhado, onde a água poderia ser aquecida”, esclarece.
O objetivo da equipe que investiga o problema da hemodiálise no HB é remover os possíveis pontos de contaminação, de acordo com a médica. Ela reitera que a contaminação da água utilizada no processo da diálise ocorreu na tubulação, e não na fonte. “Quando a água fica parada em algum lugar (canos) ou passa por um lugar inadequado, crescem bactérias. Mas a água (da hemodiálise do HB) vem de poço artesiano, que é a água mais segura que existe”, diz.
O atendimento aos 103 doentes renais crônicos no HB foi suspenso temporariamente na última segunda-feira, e estes vêm realizando seu tratamento em hospitais da região. As primeiras queixas de pacientes com mal-estar, calafrios e tremores foram registradas pela equipe da unidade há cerca de dois meses.
A Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DIR-10), a direção do hospital e a Vigilância Sanitária decidiram pela interrupção do serviço a fim de investigar e tentar solucionar os problemas. Ainda não há definição da retomada do atendimento aos pacientes.
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