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Estradas têm linguagem de sinais

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Ao viajar pelas rodovias brasileiras, certamente você já se deparou com veículos à sua frente piscando os faróis ou lanternas ou mesmo motoristas gesticulando com as mãos. Pode parecer bobagem, mas conhecer, entender o significado de tais sinais corporais e automotivos e saber quando e como utilizá-los pode ser a diferença entre a vida e a morte nas estradas.

Para o capitão Augusto Francisco Cação, comandante da Polícia Rodoviária de Bauru, dominar tal “linguagem” é questão de segurança e um dos mandamentos do bom condutor. “Ela é fundamental para alertar o motorista de várias situações perigosas, como animais, pedestres e bêbados na pista ou a ocorrência de um acidente”, destaca.

Nestes momentos, piscar os faróis é um recurso providencial. Mas, acrescenta Cação, dependendo da ocasião tal atitude pode tanto ajudar quanto atrapalhar. Um bloqueio policial na rodovia, procedimento comum na busca de entorpecentes e criminosos, pode fracassar em seus objetivos se os motoristas sinalizarem para outros veículos.

“Poderá alertar justamente as pessoas procuradas pela ação. Por isso, é fundamental que os condutores tenham a capacidade de identificar um bloqueio policial”, considera o capitão.

E como distingui-lo? Cação explica que, além do número de oficiais envolvidos ser maior, haverá policiais de outras áreas, como os urbanos e federais. “Se você avistá-los pode saber que não se trata de mera fiscalização de rotina”, orienta.

O capitão considera, ainda, que um hábito comum entre os condutores nas rodovias - o de avisar outros motoristas sobre a presença de viaturas da Polícia Rodoviária através das piscadas de faróis - também ajuda a evitar acidentes. “Apesar da existência de regulamentação proibindo tal ato, quem faz isso acaba auxiliando porque nos quilômetros em que estamos presentes os acidentes quase não acontecem”, afirma.

Entretanto, Cação adverte que quem for surpreendido nesta situação será autuado. “O Código de Trânsito é bem claro nesse sentido. O condutor deve respeitar sempre as regras, como andar na velocidade máxima permitida, e não apenas quando outros o alertam da presença da Polícia Rodoviária”, enfatiza o capitão.

Ultrapassagens

Considerados os momentos de maior tensão nas estradas, as ultrapassagens também possuem “códigos” específicos na linguagem rodoviária, que devem ser conhecidos, mas seguidos de maneira cautelosa.

Os principais envolvem as setas de direção. Se a da direita estiver acionada, significa que o veículo da frente estará “falando” àquele em sua traseira para ultrapassá-lo. Caso a da esquerda esteja ligada, o condutor estará lhe avisando o contrário: permaneça onde está, pois há carros vindo na direção contrária.

Apesar disso, o capitão da Polícia Rodoviária bauruense é taxativo: a decisão final deve ser sempre de quem está atrás. “Mesmo sendo uma atitude de companheirismo, não se deve confiar sempre na sinalização de quem está à sua frente. Isso porque este pode cometer um erro de cálculo, pois ele não tem como avaliar as condições de conservação do veículo e, principalmente, a potência que o mesmo terá para ultrapassá-lo”, frisa Cação.

Por essa razão, cuidado deve ser a palavra-chave em uma ultrapassagem. “Um sinal da seta direita pode representar tanto um ‘pode ir’ como a intenção de um veículo contornar para o lado que está indicando”, exemplifica o capitão. “Já os sinais com a esquerda devem ser sempre respeitados, pois representarão que o carro à frente irá ultrapassar ou estará avisando para você ficar em sua faixa de rolamento”, compara.

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Diferenças

O comandante da Polícia Rodoviária considera que muitos motoristas desconhecem a linguagem “estradeira”. Por isso, Cação defende que durante a formação dos condutores em auto-escolas poderia-se abrir um espaço para ensinar aos alunos as diferenças entre se dirigir na cidade e na rodovia. “As regras são as mesmas, mas a velocidade, assim como o ambiente, é diferente”, diz.

O capitão acrescenta que, atualmente, quem aprende a guiar o faz apenas na cidade. “Por isso, seria fundamental que os aprendizes tivessem noções básicas para dirigir nas rodovias”, salienta Cação. “Mas, só a prática os tornarão experientes no assunto”, finaliza o comandante.

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