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Um bauruense 'ás' do volante


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Nos dias atuais, quando os brasileiros acompanham com real interesse o campeonato mundial de automobilismo, no qual Nelson Piquet, Emerson Fittipaldi, Chico Landi e Ayrton Senna foram nossas figuras de maior expressão, poucos sabem que, na década de 30, um bauruense amante deste esporte chegou a participar de algumas competições.

A primeira delas foi no circuito do Jardim América, em São Paulo, quando João Amaral, auxiliado pelo mecânico Aldo Crivelaro, enfrentou experimentados profissionais do volante naquela disputa.

A transcrição de uma notícia veiculada na imprensa no dia 2 de julho de 1936 fala sobre os dois bauruenses: “Como era de se esperar, Bauru, uma das mais legítimas expressões do dinamismo bandeirante, participará também da arriscada prova automobilística a se realizar amanhã, no circuito do Jardim América, na Capital do Estado”.

Assim é que o conhecido João Amaral, com a colaboração do hábil mecânico Aldo Crivelaro, resolveu inscrever-se no grande certame. Para tanto, o mecânico referido começou a preparar uma sedan da conhecida fábrica italiana Isotta Franschine a fim de com ela concorrer na arriscada prova.

Os preparativos do carro estão muito adiantados, devendo o mesmo ficar pronto nos próximos dias, sendo logo em seguida experimentado na reta entre Agudos e Lençóis, na estrada de rodagem oficial.

Fomos informados que uma importante firma de São Paulo, especializada em artigos para automóveis, ofereceu aos nossos concorrentes da prova do Jardim América cinco pneus com as respectivas câmaras.

Estamos ainda informados que o senhor prefeito auxiliará a arrojada iniciativa dos dois bauruenses. Ao que sabemos, o entusiasmo de João Amaral e Aldo Crivelaro já contagiou outros automobilistas e oficinas mecânicas da cidade, colocando à disposição os seus serviços e cooperando na adaptação do automóvel que representará Bauru na grande prova.

Além do auxílio de que falamos acima, muitos particulares já comunicaram aos senhores João Amaral e Aldo Crivelaro o desejo de colaborar, por qualquer meio, para o êxito dessa simpática iniciativa. É uma excelente oportunidade para demonstrarmos, perante as multidões da paulicéia, o arrojo da gente da Terra Branca.

Infelizmente, edições seguintes dos jornais bauruenses nada publicaram sobre essa corrida e pesquisas a respeito de João Amaral sobre as competições em que participou e as classificações obtidas estão sendo realizadas pelo Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo.

O texto, escrito especialmente para o AutoMercado&Cia, é do historiador e jornalista Luciano Dias Pires.

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