Tribuna do Leitor

Rios, riachos e córregos de Bauru


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Por hábito, falta de programação ou até mesmo de cultura estamos primeiro destruindo para depois construirmos ao nosso gosto ou como podemos.

Se observarmos o que temos feito com os nossos vales onde densos fios de água límpida corriam, vamos nos deparar hoje com valas de esgoto a céu aberto.

Saudosos vales com nomes lindos que foram, pela falta de planejamento estratégico, engolidos pelo lodo do esgoto urbano: Córrego da Grama, Água da Ressaca, Córrego Água do Castelo, Córrego do Barreirinho, Córrego da água comprida, Vargem Limpa, Ribeirão das Flores (jaz sobre uma grande avenida) e outros que minha fonte não denomina.

Nomes lindos que se analisarmos vamos descobrir como eram suas características: muita grama nas margens, lugar perfeito para curar ressaca, margens com muitas flores, água límpida e comprida, com barreiro (argila).

Sem falar da nossa calha de esgoto principal que leva o nome de nossa cidade (cesto de frutas). Quem agüenta trafegar pelas suas marginais sem sentir enjôo pelo cheiro que exala. Quem é “marginal” na concepção arquitetônica da cidade: as avenidas ou o rio?

Antes que a instalação urbana inicie em uma bacia que compreende o vale do córrego, desenvolvessemos um projeto genérico de conservação de suas margens, onde futuras avenidas com suas tubulações de captação, fossem construídas distantes o suficiente para a manutenção e conservação de suas margens, mata ciliar existente, seja qual for, preservada de forma natural e, no futuro, de forma organizada, explorada como parques e jardins. O direito à propriedade não pode usurpar o direito da conservação e preservação de fundos de vales, seus riachos, suas águas e suas fontes.

Digo qual for a mata porque temos sérios preconceitos com relação a brejos e outras modalidades ribeirinhas. Sapos, rãs e outros animais que ali vivem, devem também ter seus espaços preservados. E são esses os espaços de procriação de várias espécies ribeirinhas e do meio aquático. Se já tivessemos este direito, novos loteamentos já estariam enquadrados e não estariam destruindo o nosso patrimônio natural e nossas fontes de água.

É muito fácil e econômico captar toda água pluvial e esgoto de um loteamento e jogá-la numa “calha que a natureza criou”, ou seja, no riacho mais próximo. Só que o custo futuro, se é que vamos poder recuperar alguma coisa como deviamos, será muito mais caro. Qual é o custo de protegermos as margens de nossos córregos com tubulações de esgoto assim que surgirem as primeiras casas?

Quanto seria lindo e qualitativo ver a cidade entremeio às matas ciliares e seus riachos límpidos! Qual a qualidade de vida que esta atitude traria? Poderíamos acumular, onde fosse possível, através de pequenas barragens, volumes de água que poderiam ser utilizadas, após tratamento, no consumo urbano ou lazer.

Água da boa vista , Córrego Santana, Córrego Bela vista, Córrego São José, Córrego João Pedro, Parte do Córrego Água da Forquilha, Parte do Córrego Monte Belo, Córrego do Pau D’álho, Córrego Alexandre e outros, já que minha fonte, o mapa, não é muito preciso, esperam por atitudes que os livrem do futuro comum, o esgoto? A verdade é que me surpreendi com tamanha quantidade de córregos que ainda temos. Devemos protegê-los antes que o desenvolvimento urbano, se podemos disser que isso é desenvolvimento, destrua estes vales também.

Para aprovação de novos loteamentos temos que introduzir a obrigatoriedade do levantamento do impacto ambiental e a obrigatoriedade da aplicação de técnicas de conservação dos córregos e riachos de nossa cidade. O futuro irá agradecer.

Antonio Sérgio Sanches - RG 9.827.168

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