O governo de Dudu Ranieri (PFL) chegou ao final ontem à tarde, apenas 23 dias depois que o ex-prefeito assumiu o cargo. Apesar de saber da possibilidade de que Nilson Costa (PTB) obtivesse uma liminar para retomar o mandato, ele afirma que recebeu a notícia de que teria que deixar o Palácio das Cerejeiras com surpresa. “Nunca esperei que o Poder Judiciário interferisse no Poder Legislativo”, justifica.
Segundo Ranieri, os demais integrantes do governo nomeados por ele também se surpreenderam com a decisão. “Ainda agora atendi o telefonema de um dos secretários que assumiu hoje (ontem), querendo saber o que ele deveria fazer. Falei que amanhã (hoje) ele não deveria comparecer à Prefeitura Municipal”, revela, referindo-se a Francisco Giglioti, titular da pasta da Administração.
O ex-prefeito diz que, agora, vai estudar o que pode ser feito juridicamente para que a liminar seja cassada. “Não sei se a gente é parte do processo. Se formos, é claro que vamos participar do processo judicial, com representação e advogado. Se não formos, queremos crer que a Câmara Municipal, através do seu presidente, venha defender aquilo que foi decidido pela maioria dos vereadores”, declara.
Críticas
Aparentando tranqüilidade, Ranieri fez duras críticas a Nilson Costa. “Sempre costumo dizer que assumi a prefeitura de forma traumática, porque foi através de uma cassação, mas muito mais traumático foi eu assumir uma empresa que é gerenciada como um boteco. A prefeitura paga como se fosse gorjeta. Uma empresa tem a receber R$ 500 mil e, de repente, a prefeitura dá R$ 100 mil e promete dar o resto depois”, acusa.
Para ele, o trabalho da comissão montada por ele para analisar as contas do município seria fundamental para mostrar o caos financeiro que a administração atravessa. “Tivemos uma reunião com eles essa semana em que nos trouxeram já, antecipadamente, aquilo que seria parte da decisão”, revela.
Segundo o ex-prefeito, o balanço demonstra que não houve planejamento para investir o dinheiro que havia em caixa. “Existia, no início do ano, R$ 24 milhões de reserva, e estes R$ 24 milhões foram utilizados gradativamente até setembro. De setembro em diante, não existe mais dinheiro para ser inserido nas contas da prefeitura”, afirma.
Sobre as declarações de Nilson, dizendo que as dívidas apresentadas nas últimas semanas seriam artificais, com o intuito de prejudicá-lo, Ranieri afirma que vai acompanhar de perto que atitudes serão tomadas daqui em diante. “Eu quero cobrar desse cidadão a bagunça e a baderna que ele fez como prefeito de Bauru”, promete.
Ele acredita que o prefeito reempossado terá muitas dificuldades para evitar que o caixa feche no vermelho. “Quero ver agora, nesses últimos três meses, se é que ele vai ficar, se ele realmente fecha o ano sem déficit nenhum. A Lei de Responsabilidade Fiscal é severa e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) também”, diz.
Ranieri afirma estar confiante de que voltará ao comando do Poder Executivo. “Vamos voltar, sim, mas tem que ter muita coragem para enfrentar essa desorganização e essa falta de planejamento. Não é possível que uma cidade viva à mercê de improvisações como esse Nilson Costa faz”, critica.
Além dos problemas financeiros que diz ter encontrado, o ex-prefeito também enfrentou dificuldades para compor a equipe de governo. Apenas três secretários foram nomeados, o que forçou Ranieri a trabalhar com uma maioria de interinos.