Um suposto crime contra a honra, praticado com o auxílio da internet, está sendo investigado pelo delegado José Jorge Cardia, da Delegacia de Investigações Gerias (DIG). Por meio do correio eletrônico (e-mail), mensagem com conteúdo agressivo, que coloca em dúvida a fidelidade da mulher daquele que recebe a carta, foi espalhada para diversos cantos do País.
Em um dos trechos, o remetente diz que tem fotos que comprovariam a traição e pede para que quem recebeu a mensagem entre em contato por telefone.
“Se quiser saber como foi e quando (a traição), me escreva que te conto tudo. Ela (mulher) não vai ter como negar, porque fotografei tudo”, diz a mensagem eletrônica.
Embora o remetente use como codinome “anjo doido”, na carta ele se identifica como sendo Adriano Borges da Silva.
Mas tanto o nome como o número do telefone foram usados indevidamente na mensagem. O verdadeiro Adriano Borges da Silva, 24 anos, alega que não foi ele quem mandou os e-mails e acionou a polícia.
Segundo informou, só na sexta-feira da semana passada, dia 26, cerca de 40 pessoas ligaram para sua casa para saber do que tratava a denúncia e até para fazer ameaças.
De acordo com a mãe de Adriano, Marlene Borges da Silva, ela atendeu ligações de Brasília, São Paulo, Jundiaí, Paraná e também de Bauru.
Sentindo-se acuado e preocupado com a repercussão das mensagens, Adriano procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência na tentativa de se resguardar de qualquer acusação.
Silva apresentou ainda uma nota de serviço para provar que o monitor de seu computador estava em uma oficina para conserto desde o dia 11 de setembro. Com isso, ele argumenta que não teria como enviar as mensagens sem o monitor em casa.
“Se essa pessoa fez isso comigo, ela poderá fazer com outros. Além do mais, eu corro o risco de ser agredido fisicamente sem ter culpa nenhuma”, concluiu ele.
Silva não acredita na hipótese de tudo ter surgido de uma brincadeira feita por amigos. “Não acredito nisso. Eu até falei com as pessoas com as quais eu me correspondo regularmente, mas elas se mostraram surpresas com o que aconteceu e até duvidaram”, contou.
Troca de número
Por causa das seguidas ligações, a família solicitou da empresa de telefonia um novo número para o telefone e que esse número não seja divulgado em lista e nem por nenhum outro serviço de consulta.
Para tentar chegar ao autor e remetente das mensagens, o delegado Cardia disse que pedirá ajuda ao Departamento de Crimes Eletrônicos, da Polícia Civil de São Paulo.
De acordo com o delegado, trata-se de uma delegacia especializada nesse tipo de assunto e que faz rastreamentos, com a colaboração do provedor de e-mails, para saber de onde partiu a mensagem.
Caso o autor seja identificado pela polícia, o mesmo será chamado para prestar depoimento. Segundo Cardia, o acusado irá responder por crime contra a honra. A pena, nesse caso, poderá se resumir apenas a serviços à comunidade ou ao fornecimento de cestas básicas.
Apesar de não ser um crime comum, Cardia disse que já tem uma certa experiência nesse tipo de ocorrência. Segundo ele, “é um caso difícil de resolver, mas não impossível”.
Precedente
Outro acontecimento, realizado por meio da internet, que causou polêmica na cidade foi a ameaça de morte feita por um bauruense ao então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, em meados de 2000.
Após investigação da Polícia Civil verificou-se que se tratava apenas de uma brincadeira. O pedido de investigação partiu do FBI, a Polícia Federal americana.