Ser professor é exercer um dos mais dignos papéis intelectuais da sociedade, embora seja um dos menos reconhecidos. Quem não consegue avaliar a importância dos professores na construção da inteligência e no fortalecimento dos valores da honestidade, da lealdade, do respeito à propriedade, à vida alheia, nunca conseguirá ser mestre na sinuosa arte de viver.
Um dia, um ex-aluno, hoje jovem professor, num sincero desabafo, comentou comigo sobre mudanças pelas quais as escolas estão passando, a força quase nula dos professores no processo de mudança da instituição do ensino. Afirmava, ainda, que, atualmente, só se dá bem nas escolas quem consegue passar bem a matéria, fazer média com os alunos e com os pais e ser relapso na disciplina. Este jovem professor me fez triste ao concluir: Ser professor, hoje, é muito estressante.
Diante dessas verdadeiras e desanimadoras argumentações, explicitei as seguintes reflexões que estavam no inconsciente de um professor sexagenário, com 42 anos vividos intensamente no magistério: você tem razão, mas se cruzarmos os braços, quem mudará a escola? A mudança nunca sairá de quem manda. As grandes mudanças vêm das idéias dos que pensam, têm visão e garra. Vivemos com a idéia de que só mudaremos o mundo quando tivermos o poder do cargo. Isso é cômodo, pois, como não o temos, cruzamos os braços. Culpamos os outros. Jovem professor, o estresse não está no trabalho. Está nas tensões com que não sabemos lidar. Está na aflição, na angústia de não dominar a matéria e de repetir todo dia aquilo que não se ama.
Em seu desabafo, ainda, além do desânimo, ressalta a sua preocupação com a indisciplina nas salas de aula, alegando não ter apoio da direção da escola nem dos pais. E pergunta por que, hoje, os alunos são tão agitados.
A garotada de hoje, disse-lhe, gosta de poder mudar o professor de canal. Agüentar por 50 minutos aquele monólogo não é fácil, principalmente quando o professor não é dotado de pedagogia para tornar atraente a sua presença em sala de aula.
Naqueles tempos de disciplina mais rígida, reconheço, hoje, humildemente, que, às vezes, exagerei, cometendo equívocos em certas decisões que as circunstâncias me levaram a tomar. Sei que, às vezes, errei, mas querendo sempre acertar.
Hoje, o nosso procedimento seria outro, pois a vida, pelo seus fatos, feitos e frutos, tem nos demonstrado que educar (do latim educere) é muito mais que ensinar ou exigir uma disciplina rigidíssima, é fruto do ato de amar o educando. Amá-lo como educadores traçando limites dentro da escola e da sala de aula. Jovens gostam do limite imposto pelos professores. Se não houver limite, eles não sabem até aonde podem chegar.
A disciplina é necessária para aprendizagem. Deve-se ter a idéia exata de que comandar não é oprimir, mas sim liderar, dar exemplo. Participar, orientar e, se preciso, punir com generosidade.
Esta coluna e o desabafo do jovem professor me ofereceram um espaço oportuno para algumas reflexões sobre o dia deste grande herói, o professor.
Nem tudo, neste País, está perdido, pois, enquanto tivermos na mente, a lembrança de um professor, ainda há esperança. Parabéns, professores, por este dia!
O autor, Gino Crês, é professor.