Bairros

Concurso acirra disputa entre professor

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

No Dia do Professor, hoje o motivo para comemoração não é um fato, mas uma possibilidade. Profissionais experientes e recém-formados estão na expectativa de conseguir uma vaga efetiva na rede estadual de educação e se livrar de vez do fantasma da Admissão em Caráter Temporário (ACT), método de conquista de emprego a que têm de se submeter todos os anos.

No total, 247.597 pessoas se inscreveram em todo Estado para participar da prova, que será realizada nos dias 2 e 9 de novembro. Na primeira etapa, participarão candidatos a uma vaga nas áreas de biologia, história, matemática, língua portuguesa e química; no outro dia, será a vez de ciências, educação artística, física, geografia e inglês. Na média, serão 5,05 candidatos por vaga.

De acordo com a coordenadora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi da Silva, há cinco anos não era aberto um concurso para professores de educação básica 2 do ensino fundamental (da 5.ª a 8.ª série) e nem para o ensino médio (antigo colegial). “Nós fizemos um levantamento e concluímos que há 54 mil vagas disponíveis em todo o Estado”, explica.

Inicialmente, o edital do concurso previa a contratação de apenas 14 mil funcionários. “Mas nós pressionamos o governo do Estado e ele decidiu rever esse número”, salienta Suzi.

O concurso é, ao mesmo tempo, uma chance de conquistar a segurança profissional e um grande desafio. Para conseguir a vaga, os candidatos estão tendo de voltar aos livros e se dedicar aos estudos, relembrando assuntos relacionados à sua área de atuação.

É o caso da secretária Renata Aparecida Agulhari Fernandes, formada em geografia e que, pela primeira vez, irá concorrer a uma vaga. “A minha meta sempre foi esse concurso. Desde que me formei, estava na expectativa de fazer essa prova para ingressar na carreira”, conta ela, que se formou em 1999.

Para alcançar o seu objetivo, ela voltou para a sala de aula. Há cerca de dois meses, está fazendo um curso preparatório para relembrar alguns tópicos que poderão ser cobrados na prova. “Tenho aulas todos os sábados e ainda estudo em casa, quando chego do trabalho”, explica.

Para ela, essa é a chance de começar a dar aula. “Eu nunca batalhei para conseguir uma vaga de temporária porque tinha outro emprego. Mas, agora que a possibilidade é de ser efetivada, decidi correr atrás”, salienta.

Ednéia Moreno Carvalho está terminando a faculdade de geografia nesse ano e também se inscreveu para o concurso. Ela acredita que tem grandes chances de passar. “A demanda é grande e a concorrência não é tão acirrada, devido à quantidade de vagas. Tem que se preparar bem”, explica. Ela está estudando em casa diariamente para brigar de igual para igual com professores mais experientes.

Luta diária

Para a coordenadora da Apeoesp, Suzi da Silva, os profissionais da educação batalham diariamente para se manter na carreira. “As dificuldades são inúmeras”, destaca.

A primeira delas é justamente a insegurança quanto ao emprego. “Eles precisam, todo início de ano, correr atrás de classes para lecionar”, diz.

Nessa luta, ganham os que têm maior pontuação, ou seja, quem já está há mais tempo dando aulas nas escolas estaduais.

E quem está começando? Segundo Suzi, esses precisam contar com a sorte. “Quem está zerado na pontuação só consegue atribuição de aula se alguém mais experiente desistir”, salienta.

Segundo ela, ser professor de escola pública é um dom. “As pessoas brigam para conseguir uma vaga e a recompensa é salário baixo, violência na sala de aula e uma jornada estafante de trabalho”, destaca.

De acordo com o edital, a remuneração inicial de quem passar no concurso será de R$ 768,50 para jornada de 24 horas semanais; R$ 960,00 para 30 horas e R$ 1.280,00 para 40 horas por semana.

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CPP organiza ato público

O Centro do Professorado Paulista (CPP) de Bauru organizou para hoje, em comemoração ao Dia do Professor, um ato público. O encontro está marcado para as 9h, na Praça dos Professores (em frente ao CPP).

Às 10h, haverá um culto ecumênico na sede da entidade e, às 18h, está marcada uma missa na Catedral do Divino Espírito Santo. Às 20h, o Dia do Professor será comemorado na Igreja Batista do Estoril, com um culto evangélico.

Na sexta-feira, haverá palestra-curso com o professor Darvino Concer sobre motivação profissional. Já no sábado, será realizado um jantar-dançante. Informações: (14) 3224-1195.

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Último concurso para 1ªa 4ª série foi há 13 anos

A coordenadora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi da Silva, ressalta que o governo do Estado ainda vai ficar devendo um concurso para suprir as vagas de educação básica 1, que contempla de 1ª a 4ª série. “Há 13 anos não são contratados professores para essas séries”, ressalta.

Enquanto isso, os profissionais terão de continuar na batalha anual para conseguir atribuição de classes.

A professora Gisleine Baraldi Beghini leciona há 18 anos na rede estadual e se sente injustiçada. “Até dia 30 de dezembro deste ano, estou empregada. Depois dessa data, sou automaticamente desligada da escola e tenho de começar a batalha novamente”, salienta.

Formada em pedagogia, ela não pôde se inscrever no concurso para professor de educação básica 2, que só contempla quem tem formação em uma das disciplinas disponíveis. “Enquanto isso, eu continuo estudando. Tenho uma jornada de trabalho de nove horas por dia, faço especialização à noite e pretendo ingressar no mestrado. O importante é aperfeiçoar os conhecimentos e se preparar para melhores chances”, salienta.

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