Tribuna do Leitor

Radiografia da educação


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Na ânsia de privatizar a educação, o governo faz coisas que até Deus duvida:

- desestimula a maioria dos vocacionados, empurrando-os para outras opções de trabalho;

- remunera mediocremente os que insistem em ficar, reduzindo sua qualificação - muitas vezes produto de anos de estudo e sacrifício - em mero rótulo, sem valor algum;

- transforma a escola em um lugar vazio, sem uma filosofia de educação definida que norteie e justifique as tarefas que ali são desenvolvidas e muitas vezes dissipadas, sem uma avaliação final;

- multiplica as obrigações, os deveres do profissional da educação, enquanto desrespeita os seus direitos mais gritantes;

- superlota as salas de aula, priorizando a massificação, em detrimento do individual;

- mesmo sabendo que o convívio é difícil, mistura, no mesmo estabelecimento de ensino, clientelas diferenciadas, não lhes oferecendo o respaldo de uma equipe especializada, treinada, para resolver conflitos, sem prejuízo para o aluno e para a escola;

- copia de forma incompleta modelos vitoriosos de ensino de outros países onde há revezamento de pessoal, sugerindo que, aqui, sejam escalados sempre os mesmos responsáveis;

- trata de forma antagônica cada segmento da educação, provocando a criação de vários sindicatos, jogando-os uns contra os outros;

- para quem quiser ver, dá aos que insistem em lecionar na escola oficial, um “trailler” do filme do seu próprio futuro: isto é, o descaso no trato do professor aposentado cuja história de vida, longa, valorosa e responsável é olvidada, ridicularizada, através do desacato até à Lei Maior do nosso país.

Porém, os professores aposentados não podem deixar que o governo os vença pelo cansaço. Devem continuar lutando até o fim, unidos em sua associação, demonstrando fibra, coragem, discernimento, procurando preservar o seu espaço e garantindo melhor sorte aos colegas que virão depois.

Maria José Lemos Xavier - RG 2.253.078

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