Tribuna do Leitor

Os anjos vestem cinza


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Na madrugada do dia 13 de outubro, socorrendo um acidente próximo a minha residência, descobri que os anjos usam cinza, ao invés de branco; usam quepes, ao invés de auréolas, e não têm asas. Usam viaturas da polícia para se locomover e têm faces e corpos parecidos com os nossos. Enquanto observava esses homens resgatando as vítimas, notei a rapidez em prestar socorro, a competência em explicar para as mesmas cada passo que seria dado para removê-las. A delicadeza em pedir para os curiosos se afastarem do local. Em nenhum momento uma palavra ríspida foi dirigida a quem estava próximo, embora estivesse atrapalhando.

Via-se nas faces desses policiais (bombeiros) um sentimento que está além do dever. Posso definir esse sentimento assim: tinham o desprendimento de um anjo, a força de um pai, o carinho e a delicadeza de uma mãe, a competência de um médico e um sentimento inexplicável que eu traduzo como uma presença de Deus quase visível aos meus olhos. Como se pode pagar pessoas assim? Pessoas que na sua humildade se satisfazem com um simples muito obrigado ou com a deliciosa sensação do dever cumprido. Pessoas que suplantam seus limites, suas forças físicas e emocionais, mas que continuam sendo humanas, transmitindo calor humano nas frias madrugadas da cidade.

Parabenizá-los é pouco. Só podemos agradecer ao Corpo de Bombeiros e a seu comandante, pois os comandados refletem a face do comandante.

Enfim, se numa madrugada, fria e solitária, você sofrer um acidente, basta ligar 193. Muitos anjos virão lhe salvar.

Álvaro Bertucci - RG 8.639.206

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